A startup sul-africana Exten AI desenvolveu uma plataforma baseada em Inteligência Artificial (IA) que permite a empreendedores sem conhecimentos de programação criar aplicações de software funcionais através de simples descrições em linguagem corrente. A ferramenta cria automaticamente um sistema completo, que inclui uma base de dados isolada, armazenamento de ficheiros, mecanismos seguros de autenticação de utilizadores e os ambientes necessários para alojar e executar agentes autónomos de lA.
De acordo com o co-fundador da startup, Luncedo Simelane, a plataforma transforma instruções escritas em linguagem natural em aplicações prontas a utilizar. Ao contrário de muitas ferramentas de “texto para código”, não se limita à criação da interface visual, disponibilizando também a infra-estrutura necessária ao funcionamento de cada aplicação.
“É basicamente um co-fundador tecnológico digital para um empreendedor sem conhecimentos técnicos e com uma boa ideia de software, capaz de disponibilizar uma estrutura pronta para produção em menos de 30 minutos”, afirmou Simelane.
Antes de se dedicar integralmente à arquitectura de software, Simelane aprendeu programação de forma autodidacta e abandonou os estudos de Direito para se concentrar no desenvolvimento tecnológico.
Segundo o co-fundador, foi durante este percurso que percebeu que as limitações da infra-estrutura tecnológica constituíam um dos principais obstáculos à inovação em África. Simelane descreve esta dificuldade como um “problema de infra-estrutura tecnológica” tecnológica, referindo-se aos obstáculos existentes entre a concepção de uma ideia e a sua concretização técnica.
“As plataformas globais de texto para código servem principalmente programadores, permitindo-lhes programar mais rapidamente, ou ficam limitadas à criação de interfaces visuais superficiais”, explicou.
“As plataformas globais de texto para código servem principalmente a programadores já existentes, permitindo-lhes programar mais rapidamente, ou ficam limitadas à criação de interfaces visuais superficiais”
Luncedo Simelane, co-fundador da startup sul-africana Exten AI
Para Simelane, empreendedores individuais e pequenas empresas enfrentam dificuldades quando precisam de implementar sistemas de backend, estruturar bases de dados relacionais ou garantir mecanismos de autenticação e segurança. “A Exten AI resolve exactamente este problema, funcionando como um parceiro técnico automatizado”, acrescentou.
Em termos de concorrência, o co-fundador considera que a plataforma se posiciona entre as ferramentas globais que permitem criar interfaces através de instruções em linguagem natural, mas não disponibilizam bases de dados completas, e as plataformas empresariais de desenvolvimento com pouco código (low-code), como o Microsoft Power Apps, que considera demasiado caras e rígidas para criadores dos mercados emergentes.
A startup é actualmente financiada pelos próprios fundadores. Uma primeira demonstração do conceito recebeu o apoio da professora Mamokgethi Phakeng, antiga vice-reitora da Universidade da Cidade do Cabo, durante o programa Sunday Sessions.
Mais recentemente, a Exten AI lançou um projecto-piloto em parceria com o Centre for Entrepreneurship and Rapid Incubator da Universidade de Fort Hare. Os estudantes empreendedores participantes utilizarão a plataforma para desenvolver versões iniciais dos seus produtos e negócios.
Segundo Simelane, a procura pela plataforma ultrapassou rapidamente a capacidade inicial dos servidores. O primeiro lançamento público registou mais de 100 inscrições, levando a empresa a adoptar uma fase de testes com um grupo restrito de utilizadores para assegurar a estabilidade da infra-estrutura.
Os primeiros utilizadores já desenvolveram aplicações funcionais, entre as quais a LedgerAI, destinada à automatização de processos contabilísticos; a EduAgent, concebida para apoiar professores no planeamento de aulas; e a LuminaAI, um painel personalizado de comunicação.
A Exten AI funciona através de um modelo de software como serviço (SaaS), com diferentes níveis de utilização. “Embora a criação e os testes de aplicações sejam simples e sem obstáculos, os utilizadores pagam uma subscrição mensal previsível quando as suas aplicações são disponibilizadas publicamente”, explicou Simelane.
Os preços variam consoante a utilização dos servidores, o armazenamento de dados e o recurso a agentes de Inteligência Artificial. A empresa afirma que as receitas iniciais têm sido reduzidas, uma vez que concentrou os esforços na optimização da arquitectura durante a fase de testes fechados, procurando melhorar a economia unitária do negócio, ou seja, a relação entre as receitas e os custos associados a cada cliente ou aplicação.
A capacidade de expansão tem sido um dos principais desafios da startup. De acordo com Simelane, a utilização simultânea da plataforma por dezenas de pessoas, recorrendo à IA para criar, configurar e implementar estruturas complexas de bases de dados na nuvem, provocou inicialmente congestionamentos na infra-estrutura.


























































