O Instituto Nacional de Estatística (INE) registou, no terceiro trimestre deste ano, a primeira recuperação da confiança das empresas moçambicanas em quase dois anos, interrompendo uma sequência de sete trimestres consecutivos de queda. O Indicador de Clima Económico (ICE) subiu de 87,4 pontos no segundo trimestre para 87,8 pontos entre Julho e Setembro.
A subida interrompe a trajectória de deterioração iniciada após o segundo trimestre de 2024 e representa a primeira recuperação do Índice de Clima Económico (ICE) desde então. Segundo o relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), o resultado foi “influenciado pela melhoria das perspectivas de emprego e da procura”, embora o indicador continue abaixo da média histórica da série, de 98,8 pontos.
A evolução do ICE ao longo do último ano evidencia a inversão registada no terceiro trimestre. O indicador passou de 89,8 pontos no terceiro trimestre de 2025 para 88,7 pontos no quarto trimestre, recuando depois para 87,8 pontos nos primeiros três meses de 2026 e para 87,4 pontos no segundo trimestre. Entre Julho e Setembro, recuperou para 87,8 pontos.
A evolução, contudo, não foi uniforme entre os diferentes sectores de actividade. Nos serviços, o indicador de confiança aumentou de 100,6 para 101,7 pontos, prolongando a recuperação iniciada no trimestre anterior e mantendo-se acima da média histórica do sector. Na indústria, passou de 89,8 para 90 pontos, depois de dois trimestres consecutivos de queda.
No comércio, a confiança também melhorou, de 71 para 72,3 pontos. Apesar da subida, este continua a ser o sector com o indicador mais baixo entre os analisados e permanece significativamente abaixo da respectiva média histórica.
A recuperação do clima económico foi acompanhada por uma melhoria das expectativas das empresas em relação à procura. “O indicador de expectativa da procura registou melhorias progressivas pelo quarto trimestre consecutivo”, refere o relatório. O respectivo saldo passou de 91,6 para 92,4 pontos, impulsionado pela avaliação positiva das empresas dos serviços e pela recuperação registada na indústria e no comércio.
As perspectivas de emprego seguiram igualmente uma trajectória de melhoria. O indicador subiu de 81,1 para 82,9 pontos, prolongando a recuperação observada desde o início do ano, embora permaneça abaixo da média histórica de 98,6 pontos.
“Essa situação favorável do emprego futuro foi influenciada pela avaliação positiva do indicador nos sectores de comércio e de serviços”, assinala o INE.
O indicador relativo às perspectivas de preços de bens e serviços passou, por sua vez, de 102,6 para 104,7 pontos, registando o terceiro trimestre consecutivo de subida e mantendo-se acima da média histórica.
Em paralelo, diminuiu a proporção de empresas que reportaram constrangimentos à actividade, de 49,8% no segundo trimestre para 44,7% entre Julho e Setembro, uma redução de 5,1 pontos percentuais.
Apesar desta evolução, mais de quatro em cada dez empresas continuam a enfrentar dificuldades. A indústria é o sector mais afectado, com cerca de 55% das empresas a reportarem constrangimentos, entre os quais dificuldades de mercado, insuficiência da procura, problemas de acesso ao financiamento, custos operacionais e limitações associadas ao ambiente de negócios.
Os dados surgem num contexto de recuperação da economia moçambicana após a instabilidade social registada no final de 2024 e perante os efeitos recorrentes de fenómenos climáticos adversos.
Fonte: Lusa



























































