O governador do Banco de Moçambique (BdM), Felisberto Navalha, afirmou que os constrangimentos registados recentemente no abastecimento de combustíveis em Maputo e noutras cidades do País não estão relacionados com a falta de divisas no mercado.
Felisberto Navalha reiterou que os problemas resultaram de dificuldades operacionais e logísticas verificadas durante o fim-de-semana prolongado, que afectaram o normal funcionamento do abastecimento, em linha com a explicação já avançada pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME).
“O regulador emitiu um comunicado que deixa claro que os problemas que se verificam em Maputo e em algumas cidades do País não têm que ver com o déficit de divisas”, afirmou.
Segundo o responsável, as dificuldades registadas foram de natureza operacional e deverão ser ultrapassadas com a reposição gradual do abastecimento. “Houve problemas operacionais ao longo do fim-de-semana longo e que levaram a que se chegasse à situação em que nós nos encontramos”, explicou o governador, acrescentando que os combustíveis estão a ser distribuídos em diferentes pontos do País.
Felisberto Navalha afastou igualmente a possibilidade de os constrangimentos estarem relacionados com uma eventual incapacidade do sistema bancário para disponibilizar moeda estrangeira destinada ao pagamento das importações de combustíveis. “As facturas de combustíveis que têm sido apresentadas ao sistema bancário têm sido pagas em tempo oportuno”, afirmou.
“A aparente crise verificada recentemente não tem que ver com a falta de divisas para combustíveis”, reforçou o governador, numa altura em que persistem preocupações no mercado quanto à disponibilidade de moeda estrangeira para financiar as importações.
Para sustentar esta posição, o dirigente do banco central destacou a evolução da liquidez em moeda estrangeira no mercado. De acordo com Felisberto Navalha, até Agosto, o sistema bancário tinha adquirido cerca de 5,7 mil milhões de dólares junto dos seus clientes e de outros agentes económicos, acima do volume registado no mesmo período do ano anterior.
Apesar de afastar uma relação entre a disponibilidade de divisas e os actuais constrangimentos no abastecimento de combustíveis, o responsável apontou a evolução dos preços internacionais como um dos riscos acompanhados pelo BdM no âmbito da política monetária. “Neste momento, vislumbramos o elevar de alguns riscos, sobretudo relacionado com o preço internacional dos combustíveis”, afirmou.
Além dos combustíveis, Felisberto Navalha apontou a evolução dos preços dos produtos alimentares, particularmente do trigo e do arroz, como outro factor de risco para a inflação. A estes juntam-se factores internos associados às condições climáticas, que também poderão exercer pressão sobre os preços no País.
Texto: Florença Nhabinde



























































