A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) lançou esta quinta-feira, 1 de Outubro, um plano para mobilizar investimentos destinados a reforçar os sistemas agro-alimentares e aumentar a resiliência da agricultura moçambicana face aos crescentes riscos climáticos, escreveu a Lusa.
A informação foi avançada, em Maputo, por Augusto Correia, coordenador do projecto de Resiliência Climática e Promoção de Investimento no Sistema Agrícola da FAO, à margem de um seminário de auscultação sobre a proposta do Plano de Investimento Climático para os Sistemas Agro-alimentares e de lançamento de candidaturas para notas conceptuais de projectos do sector privado.
Segundo Augusto Correia, o plano deverá servir de base à preparação de propostas de projectos, que serão posteriormente agregadas e submetidas a instituições financeiras e parceiros de cooperação internacional, com o objectivo de mobilizar recursos para investimentos no sector agrícola.
“Uma das instituições é o próprio Fundo Verde para o Clima. Pretendemos mobilizar investimentos internacionais, mas também nacionais, tanto do sector público como privado, para financiar iniciativas climáticas na agricultura. Essencialmente, este é o conceito geral que temos em vista”, afirmou.
A iniciativa, inicialmente prevista para decorrer durante um ano, procura responder às dificuldades de acesso a financiamento adequado e apoiar a preparação de projectos alinhados com as exigências climáticas e do mercado. O programa surge num contexto em que os sistemas agro-alimentares moçambicanos permanecem vulneráveis a secas, cheias, ciclones e outros fenómenos climáticos extremos.
O plano deverá identificar as cadeias de valor prioritárias, as necessidades de financiamento, os principais obstáculos ao investimento e as oportunidades de co-financiamento entre os sectores público e privado. O trabalho está a ser desenvolvido em articulação com instituições governamentais ligadas à agricultura e às alterações climáticas.
“A ideia é envolver os pequenos, médios e grandes produtores, bem como os fornecedores de insumos, os operadores de processamento, transporte, banca e sector financeiro, para garantir uma abordagem integrada na promoção da resiliência climática na agricultura”, explicou Augusto Correia.
Com o lançamento das candidaturas para notas conceptuais, a FAO pretende reforçar a capacidade técnica dos proponentes para apresentarem projectos que demonstrem relevância climática, identifiquem os respectivos beneficiários e estejam alinhados com as prioridades nacionais. Pretende-se igualmente definir mecanismos adequados de financiamento e implementação, de modo a promover investimentos com potencial de expansão, financeiramente viáveis e capazes de gerar benefícios climáticos, económicos e sociais.
A representante do Governo moçambicano, Anacleta Chiangua, destacou a importância da iniciativa perante os riscos climáticos que o País enfrenta, sobretudo tendo em conta as previsões para a ocorrência do fenómeno El Niño na época 2026-27. A responsável recordou que o último episódio, registado entre 2023 e 2024, provocou elevados custos económicos e sociais, incluindo perdas na produção agrícola e o agravamento da insegurança alimentar.
Para a época 2026-27, as necessidades de investimento incluem cerca de 142 milhões de dólares para intervenções de abastecimento de água em 52 distritos susceptíveis de enfrentar escassez hídrica.
“Este cenário reforça que o investimento na resiliência climática não é apenas uma questão de futuro, mas uma necessidade que exige acção no presente”, concluiu Anacleta Chiangua.



























































