A Google vai lançar, a 1 de Outubro, o primeiro satélite experimental do Project Suncatcher, iniciativa que pretende testar a utilização do espaço para alojar infra-estruturas de computação destinadas à Inteligência Artificial (IA). O satélite, denominado MVP, será colocado em órbita por um foguetão Falcon 9, da SpaceX, durante a missão Transporter-18, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia, nos Estados Unidos América (EUA).
O Project Suncatcher foi anunciado pela Google em Novembro de 2025 e explora a possibilidade de construir, no futuro, centros de dados de Inteligência Artificial (IA) em órbita terrestre baixa. A empresa considera que o espaço oferece uma vantagem energética, uma vez que os painéis solares em órbita podem receber luz solar durante períodos mais longos do que na superfície terrestre.
O lançamento do MVP foi antecipado face ao calendário inicialmente previsto. A Google anunciou uma parceria com a Planet Labs, empresa norte-americana de imagens de satélite e IA que obtém imagens de toda a superfície terrestre diariamente, para lançar dois satélites protótipo em 2027, mas decidiu colocar o primeiro equipamento em órbita ainda este ano. Os satélites previstos para 2027 continuam no plano e deverão testar, entre outros aspectos, a comunicação por laser entre equipamentos em órbita.
O satélite MVP transportará quatro unidades de processamento tensorial (TPU) da Google, utilizadas em aplicações de Inteligência Artificial. Em conjunto, os processadores terão uma capacidade de computação equivalente à de um único servidor de um centro de dados. Os painéis solares deverão produzir cerca de um quilowatt de energia, suficiente para executar tarefas simples relacionadas com o Gemini, o sistema de IA da Google.
De acordo com o site Tek Notícias, um dos principais desafios da iniciativa está relacionado com a gestão do calor. Como o espaço não permite utilizar ventoinhas para dissipar calor através do ar, a Google desenvolveu um sistema de arrefecimento que conduz a energia térmica dos chips através de materiais de interface, alumínio e cobre até um painel radiador. Segundo a empresa, os processadores poderão funcionar durante cerca de 15 minutos antes de necessitarem de uma pausa para arrefecimento.
A Google submeteu os componentes a testes destinados a avaliar a sua resistência às condições de lançamento e ao ambiente espacial. Os equipamentos foram sujeitos a vibrações intensas e os processadores foram testados quanto à resistência à radiação. Segundo a empresa, os TPU Trillium suportaram níveis de radiação superiores aos previstos para uma missão de cinco anos.
Apesar da antecipação do lançamento, a Google mantém expectativas moderadas quanto aos resultados do projecto. A empresa estima que os centros de dados em órbita só poderão tornar-se competitivos face às infra-estruturas terrestres a partir de meados da década de 2030, sobretudo devido à esperada redução dos custos de lançamento.

























































