O governador do Banco de Moçambique (BdM), Felisberto Navalha, anunciou esta quarta-feira (30) a manutenção da taxa de juro de política monetária, conhecida como taxa MIMO, em 9,25%, pela quarta reunião consecutiva. A decisão foi tomada pelo Comité de Política Monetária (CPMO), num contexto de riscos persistentes para a inflação e a actividade económica.
A taxa MIMO mantém-se em 9,25% desde Janeiro, quando o Banco de Moçambique realizou a última redução, antes de interromper, em Março, o ciclo de cortes iniciado em Janeiro de 2024. Na última reunião, realizada em Julho, a inflação anual tinha acelerado de 7,2% em Maio para 7,5% em Junho.
Segundo Felisberto Navalha, a decisão reflecte “a prevalência de vários riscos e incertezas quanto ao impacto dos choques climáticos e do prolongamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa”, que poderão pressionar os preços internacionais dos combustíveis e dos alimentos.
Além da manutenção da taxa MIMO, o CPMO decidiu alterar o regime de reservas obrigatórias, numa medida que irá vigorar durante 18 meses. A alteração permite aos bancos deduzir, na componente em moeda nacional das reservas obrigatórias, os montantes correspondentes a novos financiamentos concedidos a empresas que contribuam para a substituição de importações ou para o aumento das exportações.
A taxa de juro aplicada a estes financiamentos será igual à taxa MIMO, podendo ser acrescida de uma margem de até 150 pontos base, consoante a finalidade do crédito. A medida pretende incentivar o financiamento à actividade produtiva e apoiar empresas com potencial para reduzir a dependência das importações ou aumentar as exportações.
Em relação à inflação, Felisberto Navalha avançou que o indicador poderá enfrentar alguma pressão no curto prazo, devido à inflação importada e ao aumento dos preços de frutas e vegetais associado ao fim da época fresca. Contudo, “no médio prazo, prevê-se uma desaceleração da inflação para um dígito”.
A actividade económica mantém uma trajectória de crescimento moderado. O Produto Interno Bruto (PIB) real cresceu 1,7% no segundo trimestre de 2026, depois de uma expansão de 0,1% no primeiro trimestre, impulsionado principalmente pelos sectores da agricultura, da indústria extractiva e dos serviços.
No mercado cambial, as compras de divisas pelos bancos comerciais aumentaram em 724 milhões de dólares entre Janeiro e Agosto, para 5,73 mil milhões de dólares, enquanto as vendas cresceram 593 milhões de dólares, para 5,65 mil milhões. Felisberto Navalha destacou a estabilidade cambial num contexto de maior actividade associada aos projectos de gás natural e à indústria extractiva.
O governador alertou ainda para os riscos associados aos atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa, que continuam a afectar o funcionamento do mercado financeiro. “O CPMO reafirma o seu compromisso de assegurar a estabilidade de preços”, afirmou Felisberto Navalha, acrescentando que a próxima reunião do órgão está marcada para 25 de Novembro.
Texto: Florença Nhabinde


























































