Cientistas chineses desenvolveram uma técnica de refino molecular (inovação que separa componentes do petróleo bruto à temperatura ambiente, através de membranas químicas, sem necessidade de aquecimento repetido) que, em testes laboratoriais, reduziu em 91% o consumo de energia necessário para separar os diferentes componentes do petróleo bruto. O método utiliza membranas químicas capazes de separar moléculas à temperatura ambiente, dispensando algumas das etapas de aquecimento utilizadas no processo convencional de refino.
Actualmente, o petróleo bruto é separado principalmente através da destilação, que aproveita as diferenças entre os pontos de ebulição dos seus componentes. O petróleo é aquecido a elevadas temperaturas e parcialmente vaporizado, sendo depois condensado para separar diferentes fracções, utilizadas na produção de combustíveis como a gasolina e o gasóleo e de matérias-primas para a indústria petroquímica.
A nova técnica foi desenvolvida por investigadores do Instituto de Física Química de Dalian, no norte da China. Em vez de recorrer ao calor, utiliza membranas que funcionam como uma espécie de peneira molecular, permitindo a passagem de determinadas moléculas e retendo outras de acordo com as suas dimensões e estruturas químicas.
Os investigadores tiveram de aperfeiçoar as membranas para distinguir moléculas com diferenças de tamanho de apenas um centésimo de nanómetro. Depois dos ajustes, o método foi testado com uma amostra de petróleo bruto leve contendo 15 substâncias químicas diferentes.
De acordo com a equipa, o sistema conseguiu separar a amostra em três grupos de produtos de elevado valor acrescentado, com taxas de recuperação entre 85% e 90%. A principal vantagem energética resulta da eliminação de etapas como a ebulição, vaporização e condensação, que exigem grandes quantidades de calor.
Apesar dos resultados, a tecnologia ainda terá de demonstrar que pode ser aplicada à escala industrial e manter a eficiência registada nos testes laboratoriais antes de poder ser considerada uma alternativa viável ao actual processo de refinação. A eventual aplicação poderá também contribuir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao sector.
Segundo os responsáveis pelo projecto, o refino de petróleo é uma actividade com elevado consumo energético. Uma estimativa publicada em 2021 indicava que o sector era responsável por cerca de 1,3 gigatoneladas de dióxido de carbono por ano, figurando entre as principais fontes estacionárias de emissões de CO₂ no mundo.
Caso possa ser adaptado à escala industrial, o chamado refino molecular poderá reduzir o consumo energético e os custos associados ao processamento do petróleo, além de diminuir a pegada carbónica de uma actividade essencial à produção de combustíveis e de diversas matérias-primas industriais.
Fonte: Zap



























































