O petróleo não pára de subir nos mercados internacionais, com a falta de progresso nas negociações entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão para um acordo no Médio Oriente. As autoridades iranianas mostraram-se pessimistas em relação a um acordo para pôr fim às hostilidades com Washington e reabrir o Estreito de Ormuz antes das eleições intercalares norte-americanas, em Novembro, isto depois de Donald Trump ter rejeitado uma proposta de retomar o tráfego total pela via marítima, por onde passava cerca de 20% do “ouro negro” consumido a nível mundial, em sete dias.
À margem da Assembleia Geral da ONU, o Irão apresentou uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz no prazo de sete dias e retomar as negociações nucleares, em troca do levantamento, pelos EUA, do bloqueio naval aos portos iranianos, da suspensão das sanções ao petróleo do país e do restabelecimento do cessar-fogo. Teerão afirmou que não irá rever a proposta e aguarda agora uma resposta dos negociadores norte-americanos.
Neste contexto, o West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, avança 1,4%, para 93,86 dólares por barril, enquanto o Brent, referência para a Europa, sobe 1,57%, para cerca de 107 dólares. O crude caminha para fechar o terceiro mês consecutivo de ganhos, impulsionado pela escalada das tensões entre os EUA e o Irão, pelas interrupções na rota de desvio para a Arábia Saudita e pelos potenciais cortes nas exportações de gasóleo por parte de Washington. O Brent acumula uma subida superior a 70% este ano, após mais de sete meses de conflito no Médio Oriente.
Entretanto, a Arábia Saudita restabeleceu cerca de metade do fluxo através do seu oleoduto Leste-Oeste, uma rota crucial que permite contornar o Estreito de Ormuz, depois de ataques com drones terem interrompido as operações no início de Setembro. Os ataques terão reduzido o fluxo em pelo menos 3,5 milhões de barris por dia, de acordo com dados da Bloomberg.
“Ainda existe um enorme risco geopolítico, mas o mercado aprendeu que os barris continuam a encontrar uma saída”, disse Haris Khurshid, director de investimento da Karobaar Capital LP, à agência financeira.
Sobre a proposta do Presidente dos Estados Unidos de proibir as exportações de gasóleo para conter a subida dos preços, o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, considerou que a medida poderá ter o efeito contrário e elevar os custos da gasolina. “É uma má ideia”, afirmou, argumentando que a proibição obrigaria as refinarias a reduzir a produção, o que poderia contribuir para aumentar os preços da gasolina no mercado interno.



























































