A empreendedora ugandesa Sandra Nabakka desenvolveu uma solução baseada em Inteligência Artificial (IA), dados de satélite, sensores de solo e energia solar para automatizar a rega de pequenas explorações agrícolas na África. O sistema combina imagens de satélite, informações meteorológicas e dados recolhidos por sensores instalados no solo para determinar as necessidades de água das culturas.
A partir dessas informações, bombas alimentadas por energia solar fornecem água às diferentes zonas das parcelas apenas quando necessário. De acordo com a responsável, a solução pode reduzir o consumo de água em até 90%, além de contribuir para o aumento da produtividade e a redução dos custos operacionais dos agricultores.
Fundada pela Sandi AI, a tecnologia procura substituir métodos tradicionais de rega, muitas vezes baseados na experiência dos produtores e nas condições aparentes do tempo, por decisões orientadas na base de dados. Os sensores acompanham, entre outros parâmetros, os níveis de humidade e a temperatura do solo, permitindo ajustar a quantidade de água utilizada.
Para facilitar o acesso dos pequenos produtores à tecnologia, a Sandi AI criou um modelo de poupança colectiva, através do qual os agricultores podem juntar recursos para financiar gradualmente os equipamentos. A implementação também pode ser feita por etapas, começando pelas bombas solares, seguindo-se a instalação de sensores e, posteriormente, o acesso à análise de dados por satélite.
Além do sistema de rega, a empresa disponibiliza um assistente virtual baseado em IA, concebido para apoiar os agricultores em decisões relacionadas com a actividade agrícola, incluindo períodos de sementeira, rotação de culturas e aplicação de fertilizantes.
A solução surge num contexto em que pequenos agricultores africanos enfrentam desafios relacionados com o acesso à água, custos de produção e efeitos das alterações climáticas. A utilização de energia solar permite ainda reduzir a dependência de combustíveis fósseis para alimentar os sistemas de bombagem.
Nabakka é licenciada em Tecnologias de Informação pela Ndejje University, no Uganda, e possui um mestrado em Inteligência Artificial para o Desenvolvimento Sustentável pela University College London, no Reino Unido. Antes de fundar a Sandi AI em 2025, dirigiu a organização Elevate Bridge Builders, dedicada a questões de higiene e saneamento.
A tecnologia já é utilizada por mais de 4100 grupos de agricultores no Uganda, Quénia e Tanzânia, segundo dados divulgados pela publicação africana We Are Tech Africa.
Fonte: Revista Kabum



























































