O Presidente da República, Daniel Chapo, inicia nesta segunda-feira, 28 de Setembro, uma visita de Estado de três dias ao Botsuana, numa deslocação que coloca o reforço das relações bilaterais e os interesses económicos e estratégicos dos dois países no centro da agenda.
De acordo com uma publicação da Agência de Informação de Moçambique, um dos temas de interesse para Gaborone é o futuro Porto de Techobanine, no distrito de Matutuíne, província de Maputo, concebido como parte de um corredor ferroviário que deverá ligar Moçambique, Botsuana e Zimbabué ao oceano Índico.
A visita decorre a convite do Presidente do Botsuana, Duma Boko, e insere-se nas celebrações dos 60 anos da independência daquele país, nas quais Daniel Chapo participa como convidado de honra.
Para o Botsuana, país sem acesso directo ao mar, o projecto representa uma alternativa para o transporte de mercadorias e o acesso aos mercados internacionais, com potencial para diversificar as rotas comerciais e reduzir os custos logísticos.
A iniciativa prevê a construção de um porto de águas profundas em Techobanine e de uma ligação ferroviária entre os três países, criando um corredor multimodal destinado a facilitar o escoamento de mercadorias do interior da África Austral para os mercados internacionais.
O projecto não se limita a uma parceria bilateral entre Moçambique e Botsuana. Os três países trabalham há vários anos na sua estruturação, num empreendimento que poderá reforçar a conectividade regional e ampliar as opções de transporte para os países sem litoral, que dependem dos portos e corredores de transporte dos países costeiros vizinhos para realizar as suas importações e exportações.
Em Julho de 2024, Moçambique, Botsuana e Zimbabué assinaram acordos destinados a viabilizar o projecto, incluindo instrumentos relacionados com o financiamento, a construção do porto e o transporte de mercadorias.
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) enquadra a iniciativa como uma infra-estrutura de transporte multimodal com potencial para apoiar o comércio, a industrialização e a integração económica regional. Para Moçambique, o empreendimento poderá reforçar o papel dos seus portos como plataformas de entrada e saída de mercadorias destinadas aos países vizinhos. O Zimbabué, por sua vez, poderá beneficiar de uma nova ligação ferroviária aos mercados marítimos.
Apesar dos avanços institucionais, o projecto continua dependente da conclusão de estudos de viabilidade e de outras etapas técnicas e financeiras necessárias à sua implementação. A mobilização de financiamento e a estruturação do empreendimento permanecem entre os principais desafios.
É neste contexto que a visita de Daniel Chapo assume uma dimensão económica para além das celebrações do aniversário da independência do Botsuana, podendo abrir espaço para aprofundar o diálogo sobre infra-estruturas, comércio e integração regional.
Chapo vai discutir cooperação bilateral e integração regional
Durante os três dias de estadia, o Chefe do Estado deverá manter contactos com as autoridades daquele país sobre matérias de interesse bilateral e regional, num esforço de consolidação da cooperação entre Maputo e Gaborone. A deslocação cruza, assim, diplomacia e interesses económicos e coloca em perspectiva o papel de Moçambique como corredor de acesso aos mercados internacionais para os países da região.
Daniel Chapo é acompanhado pela primeira-dama, Gueta Chapo, por membros do Governo, deputados da Assembleia da República e quadros da Presidência, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e de outras instituições do Estado.



























































