Um grupo de investigadores do Instituto de Tecnologia Avançada de Shenzhen, na China, desenvolveu um tecido produzido a partir de micélio vivo capaz de se renovar, reparar pequenas áreas danificadas e apresentar diferentes características, como coloração e protecção contra raios ultravioleta.
O material, classificado como material vivo projectado (ELM, na sigla em inglês), mantém organismos vivos activos mesmo depois do processo de fabrico. Ao contrário de outras aplicações do micélio, que utilizam sobretudo as suas fibras para produzir materiais semelhantes ao couro ou ao plástico, esta tecnologia mantém vivo o fungo Cordyceps militaris, embora num estado dormente. A espécie tornou-se também conhecida do grande público por ter inspirado o fungo retratado na ficção The Last of Us.
Segundo os investigadores, esta característica permite ao tecido responder a determinadas condições e regenerar-se ao longo do tempo. O material é submetido a um processo de secagem a cerca de 45 ºC, que reduz a actividade metabólica do fungo e impede o seu crescimento activo, mas preserva a capacidade de voltar a desenvolver-se quando são reunidas condições adequadas.
Para estimular esse processo, os cientistas aplicam uma solução nutritiva à base de água de batata. Quando aplicada numa zona danificada, juntamente com uma pequena quantidade de fungo fresco, a solução pode estimular o crescimento de novos filamentos, permitindo que o micélio volte a ocupar a área afectada e repare a superfície sem recurso a adesivos ou costuras.
O tecido apresenta ainda propriedades hidrofóbicas, que contribuem para a sua capacidade de se manter limpo. Os investigadores conseguiram também incorporar outras características através da combinação do Cordyceps militaris com diferentes organismos. A levedura de cerveja Saccharomyces cerevisiae pode conferir uma tonalidade azul ao material, enquanto o fungo Aspergillus niger contribui para aumentar a resistência aos raios ultravioleta.
Os diferentes fungos e leveduras são combinados e cultivados conjuntamente, permitindo alterar as propriedades do material de acordo com a aplicação pretendida
A tecnologia foi apresentada num artigo publicado na revista científica Science Advances. Para demonstrar o seu potencial na moda, os investigadores desenvolveram, em parceria com a empresa de inovação de materiais Peelshere, um protótipo de vestido feito com tecido de micélio vivo.
Uma das características do material é a possibilidade de combinar diferentes fungos e leveduras sem recorrer à engenharia genética, permitindo alterar propriedades como a cor, a resistência e a capacidade de reparação. No protótipo, uma variante cultivada com levedura de cerveja conferiu ao tecido uma tonalidade azul uniforme.
Segundo a investigadora Ke Li, o material poderá ser aplicado em moda conceptual, acessórios, superfícies decorativas e embalagens biodegradáveis. No entanto, a tecnologia ainda precisa de ser aperfeiçoada, nomeadamente ao nível da durabilidade, resistência à humidade, segurança e consistência do processo de fabrico, antes de poder ser utilizada em vestuário de uso diário.
Fonte: Zap



























































