A produção de energia solar em Moçambique cresceu 6,4% no primeiro semestre de 2026, para 52 576 megawatts-hora (MWh), aumentando, embora ainda de forma limitada, o seu peso na matriz eléctrica nacional, segundo dados oficiais citados pela Lusa.
A recuperação ocorre depois de a produção de electricidade dos parques solares ter recuado 4,6% em 2025, para 96 485 MWh, após atingir o recorde de 101 178 MWh em 2024. Ainda assim, o resultado de 2025 ficou acima da meta definida pelo Governo, que previa uma produção de 94 486 MWh, mantendo a energia solar responsável por cerca de 1% da produção total de electricidade no País.
De acordo com dados preliminares do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o resultado de 2025 foi assegurado por seis principais parques solares em operação no País, aos quais se juntam vários sistemas isolados de menor dimensão, importantes para o fornecimento de energia às zonas fora da rede eléctrica nacional. No primeiro semestre deste ano, a produção aumentou 3153 MWh face aos 49 422 MWh registados no mesmo período de 2025.
A Central Solar de Mocuba, na Zambézia, manteve-se como a principal unidade fotovoltaica do País, com 34 031 MWh produzidos até Junho, o equivalente a cerca de dois terços da produção solar nacional. O resultado representa um crescimento de 7% face ao período homólogo. Já a Central Eléctrica de Tetereane, em Cuamba, na província do Niassa, produziu 17 807 MWh, mais 5,9%.
Em contrapartida, os pequenos sistemas solares de Mavago, Muembe e Mecula, no Niassa, produziram menos de 200 MWh cada e registaram quedas entre 9% e 25%. No conjunto, a produção solar atingiu, até Junho, 45% da meta anual de 116 823 MWh fixada para 2026 e representou 0,7% dos 8,06 milhões de MWh produzidos no País.
Apesar do peso reduzido na matriz eléctrica, a energia solar integra a estratégia do Governo para diversificar as fontes de energia e expandir o acesso à electricidade, sobretudo nas zonas remotas. A produção continua, contudo, dominada pela hidro-electricidade, que respondeu por 81,3% do total, com 6,55 milhões de MWh, enquanto a produção térmica somou 1,45 milhão de MWh, equivalente a 18%.
É neste contexto que a canadiana JCM Power foi escolhida, no final de Agosto, para desenvolver a Central Solar Fotovoltaica de Manje, em Tete, com capacidade de 30 megawatts (MW). A adjudicação marca a entrada da empresa no mercado moçambicano, através do Programa de Promoção de Leilões de Energias Renováveis (PROLER), primeiro mecanismo competitivo de contratação de projectos solares fotovoltaicos implementado no País.
A iniciativa é apoiada pela Comissão Europeia e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e prevê a instalação de cerca de 120 MW de capacidade renovável através de concursos competitivos. O programa remonta a 2022, quando foram lançados processos de pré-qualificação para as centrais de Manje, em Tete, e Chimbunila, no Niassa, ambas com capacidade prevista de 30 MW, cabendo aos investidores assegurar o financiamento, a concepção, a construção, a operação e a manutenção.
Em Junho, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia lançou ainda um concurso para a instalação de uma central solar de 30 MW no Dondo, em Sofala, retomando o PROLER e reforçando o recurso a concursos competitivos para atrair investimento privado. Paralelamente, está em consulta pública o projecto da Central Solar de Nhamatanda, também em Sofala, promovido pela EDM em parceria com a VBC, com um investimento estimado em 69 milhões de dólares, capacidade de 45 MW e uma área de cerca de 160 hectares.

























































