O Presidente da República (PR), Daniel Chapo, pediu, na 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), um apoio internacional “mais previsível e coordenado” para consolidar a segurança, a estabilização, a reconstrução e o desenvolvimento das zonas afectadas pelo terrorismo em Cabo Delgado, reconhecendo que a estabilização da província continua incompleta.
“Agradecemos a solidariedade recebida e apelamos a um apoio internacional mais previsível e coordenado para consolidar a segurança, a estabilização, a reconstrução e o desenvolvimento das zonas afectadas, onde a força local continua a fazer o trabalho no combate ao terrorismo”, apelou Daniel Chapo.
O Presidente da República afirmou que Moçambique continua a trabalhar para restaurar a paz e a estabilidade em Cabo Delgado, destacando os progressos alcançados pelas forças moçambicanas com o apoio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da União Europeia, do Ruanda e da Tanzânia. Apesar dos avanços, defendeu uma resposta concertada e maior cooperação internacional.
“Em Cabo Delgado, registamos progressos no combate ao terrorismo e no reforço da segurança, com o esforço das nossas Forças de Defesa e Segurança e o apoio da SADC, da União Europeia, do Ruanda e da Tanzânia. Contudo, a estabilização permanece incompleta e exige uma resposta concertada e maior cooperação internacional”, afirmou.
Desde 2017, Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que já provocou mais de 6600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados, tendo registado, desde 2025, incursões esporádicas nas províncias vizinhas de Niassa e Nampula. Dados do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam ainda 1401 deslocados em Agosto.
No primeiro semestre deste ano, os incidentes de conflito aumentaram 10% face ao período homólogo, segundo a OCHA. Neste contexto, Chapo defendeu também que os recursos naturais sejam transformados em desenvolvimento, com benefícios sobretudo para as mulheres e os jovens.
“Os recursos naturais devem contribuir para a diversificação da nossa economia, a mobilização de receitas e o investimento no nosso maior recurso, que é o talento do povo moçambicano e o talento do povo africano”, afirmou, destacando igualmente a localização estratégica do País e o acesso ao mar como factores favoráveis ao desenvolvimento de infra-estruturas de transporte e logística e ao reforço da conectividade continental.
O Presidente defendeu uma África “autora do seu destino”, com maior transformação local dos seus recursos. “África é um continente rico em recursos, mas ainda retém pouco o valor que estes geram”, afirmou, defendendo a passagem da simples extracção para a criação de valor local, das transacções às parcerias e da exportação de recursos para cadeias de valor nacionais, regionais e internacionais.
Chapo sustentou ainda uma maior integração regional e continental para ampliar mercados, criar economias de escala, integrar cadeias produtivas, atrair investimentos e estimular a inovação, transformando o potencial económico em oportunidades para a população jovem.
Fonte: Lusa


























































