Ao longo das 100 edições da E&M, cada capa captou um momento. Juntas, fazem uma fotografia do País. Seleccionámos dez capas que ajudam a compreender o percurso desde 2018 – e que pode ser consultado na Internet.
Ao longo de 100 edições, a E&M procurou fazer mais do que noticiar a actualidade económica. Procurou interpretá-la, questioná-la e, por vezes, antecipar os desafios que viriam a definir o debate nacional. Cada capa foi uma escolha editorial, um retrato do momento e uma aposta na relevância dos temas que, acreditávamos, mereciam ocupar o centro da discussão pública.
Percebe-se que estas capas contam uma história maior do que a da própria revista. Contam a história de um país em transformação, das expectativas geradas pelo gás natural, dos ciclos de crescimento e de desaceleração, das crises, das reformas adiadas ou da emergência da sustentabilidade.
Nesta edição especial, escolhemos dez capas que, por razões diferentes, marcaram o percurso da E&M. Mais do que eleger as “melhores” capas, esta selecção procura mostrar como evoluíram as preocupações do País e também o olhar editorial da revista, cujos números anteriores estão disponíveis em https://issuu.com/media4development
1. Mercado de Medicamentos – Edição 9, Dezembro de 2018
Num sector directamente ligado à saúde e à vida dos cidadãos, mas envolto em processos pouco conhecidos do público, a E&M abriu as portas ao mercado dos medicamentos em Moçambique para compreender como funciona toda a cadeia, desde a importação até à chegada dos produtos às farmácias e unidades sanitárias. A reportagem procurou responder a questões essenciais: de onde vêm os medicamentos consumidos no País, como são definidos os preços, que mecanismos regulam a distribuição, como é assegurada a qualidade dos produtos e quais as diferenças entre os circuitos público e privado. Para responder a estas perguntas, a revista reuniu os contributos de reguladores, operadores do sector, profissionais de saúde e outras fontes especializadas.

2. Ciclone Idai – Edição 14, Maio de 2019
A passagem do ciclone Idai marcou um dos momentos mais dramáticos da história recente de Moçambique. Com mais de 600 vítimas mortais, milhares de feridos, cerca de 1,8 milhão de pessoas afectadas e prejuízos estimados em mais de 3 mil milhões de dólares, a tragédia expôs a vulnerabilidade do País perante eventos meteorológicos extremos e colocou à prova a capacidade de resposta e recuperação. Perante este cenário, a E&M procurou analisar as implicações económicas e sociais do desastre, bem como os desafios que se impunham à reconstrução.
Cada capa registou um instante. Juntas revelam como evoluíram e mudaram as preocupações, os desafios e as expectativas de Moçambique ao longo dos últimos anos
A reportagem reuniu contributos de responsáveis governamentais, parceiros de desenvolvimento, especialistas e organismos nacionais e internacionais. Mais do que retratar a dimensão da destruição, a edição procurou apontar soluções e lançar o debate sobre “O Caminho a Seguir”.

3. Covid-19 – Edição 24, Abril de 2020
Publicada nas primeiras semanas da pandemia de covid-19, esta edição procurou antecipar os impactos de uma crise sem precedentes para a economia moçambicana e mundial. As três edições seguintes deixaram de circular em papel, numa decisão editorial motivada pelas restrições impostas pela pandemia e pela necessidade de proteger leitores, parceiros e equipas, numa altura em que toda a precaução era indispensável para conter os contágios. Num contexto de elevada incerteza, em que ainda pouco se sabia sobre a duração e a dimensão da emergência sanitária, a E&M reuniu economistas, empresários, gestores e outras fontes especializadas, procurando responder à pergunta que dominava o debate e fazia título: “O Que Vem Aí?”

4. “Força Maior” da Total – Edição 37, Maio de 2021
O projecto de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma representava uma das maiores expectativas económicas da história de Moçambique. Mas, em 2021, tudo parou: o ataque armado à vila da Palma levou a TotalEnergies a paralisar o investimento e invocar “força maior” para suspender todas as subempreitadas no projecto Mozambique LNG. O maior investimento privado em África foi adiado e, apesar da retoma anunciada este ano, há que aguardar mais alguns anos até haver perspectivas de exploração capazes de promoverem o desenvolvimento de Cabo Delgado e do País.
Perante uma riqueza tão aguardada, toda gente questionava: “Estamos a Perder Gás?” Hoje, permanecem dúvidas: terá o País perdido a melhor janela de oportunidade para se instalar no estratégico sector da energia global?

5. Parque de Ciência e Tecnologia – Edição 42, Outubro de 2021
Num mundo em rápida transformação tecnológica, em que a inovação, a investigação e a economia digital passaram a ocupar um lugar central nas estratégias de desenvolvimento, o Parque de Ciência e Tecnologia de Maluana surgiu como uma das infra-estruturas mais ambiciosas de Moçambique. A E&M procurou compreender o verdadeiro potencial daquela aposta e responder a questões fundamentais: que impacto poderia ter uma infra-estrutura desta natureza na transformação económica de Moçambique? Que condições eram necessárias para que funcionasse? Como poderia contribuir para a formação de talentos?
Mais do que retratar acontecimentos, as capas contextualizaram temas, identificaram tendências e anteciparam desafios para o País
Através de entrevistas com responsáveis institucionais, especialistas e actores ligados à ciência e tecnologia, a revista analisou uma visão de futuro que, entretanto, não conseguiu concretizar-se, acabando por ser descontinuada. Uma reflexão que permanece actual sobre as oportunidades perdidas e sobre a promessa de que “O Futuro Mora Aqui”.

6. Pacote de Aceleração Económica – Edição 64, Setembro de 2023
Num momento em que Moçambique procurava recuperar dos efeitos acumulados da pandemia, dos choques externos e de um ambiente de negócios ainda marcado por vários constrangimentos, o Governo lançou o Pacote de Aceleração Económica (PAE), uma iniciativa apresentada como estímulo à actividade empresarial, atracção de investimento e melhoria de competitividade da economia.
A E&M analisou esta estratégia para perceber se as medidas anunciadas poderiam representar uma mudança estrutural ou apenas uma resposta conjuntural aos desafios económicos do momento, num contexto em que diferentes sectores avançavam a ritmos distintos. Era o retrato de um País onde alguns segmentos cresciam, enquanto outros permaneciam condicionados – uma verdadeira “Economia a Duas Velocidades”.

7. Manifestações Pós-Eleitorais – Edição 79, Dezembro de 2024
O período pós-eleitoral de 2024 abriu um dos capítulos de maior incerteza económica e social da história recente de Moçambique. As manifestações de contestação ao processo eleitoral provocaram interrupções na actividade económica, perturbações nas cadeias de abastecimento, restrições à circulação de pessoas e bens e fortes prejuízos sobre sectores como comércio, transportes, turismo e indústria.

A E&M procurou medir a dimensão dos efeitos e responder às perguntas que se impunham: quanto custaria esta nova onda de incerteza à economia nacional? Que efeitos teria sobre as empresas, o investimento, o emprego e a arrecadação de receitas públicas? E que sinais eram necessários para recuperar a confiança dos agentes económicos? Esta edição procurou mostrar que, para além dos efeitos imediatos, estava em causa um dos activos mais importantes de qualquer economia: a estabilidade. Porque quando a confiança é abalada, todos acabam por pagar “O Preço da Incerteza”.

8. O Fim da Ajuda Americana – Edição 82, Março de 2025
Durante décadas, Moçambique construiu uma relação de cooperação estratégica com os Estados Unidos, com a assistência norte-americana a desempenhar um papel crucial em áreas como saúde, agricultura, governação, desenvolvimento social e resposta humanitária. A decisão da administração Trump de suspender a ajuda externa abriu um debate sobre a dependência de recursos internacionais, riscos e oportunidades.
A E&M procurou compreender as implicações desta mudança e responder a questões fundamentais: qual era o peso real da cooperação americana na economia e nos serviços públicos? Que sectores seriam mais afectados? Estaria Moçambique preparado para substituir estes recursos ou acelerar a mobilização de receitas internas? Perante a interrupção de uma das mais importantes fontes externas de apoio, a pergunta tornou-se inevitável: “A Torneira Fechou. E Agora?” A volatilidade da administração mantém a incerteza no ar.

9. 50 Anos de Independência Nacional – Edição 85, Junho de 2025
Meio século depois da conquista da independência nacional, Moçambique chegou a um momento simbólico de reflexão sobre o percurso construído. Mais do que uma celebração histórica, a E&M olhou para os 50 anos como uma oportunidade para revisitar a trajectória económica do País.
Com contributos de economistas, académicos, empresários e personalidades que acompanharam diferentes fases da construção nacional, a revista propôs uma leitura crítica, mas também prospectiva, sobre a caminhada de Moçambique. Uma viagem para compreender “De Onde Vimos… E Onde Queremos Chegar?”

10. Crise de Combustíveis – Edição 98, Julho de 2026
O ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, em Fevereiro deste ano, provocou uma crise nos combustíveis marcada por dificuldades de abastecimento, pressão sobre os preços e crescente preocupação dos agentes económicos. A E&M decidiu explicar uma cadeia de distribuição que, apesar de estar presente no quotidiano de todos, permanece pouco conhecida pela maioria dos consumidores.

A revista procurou responder a perguntas fundamentais: como é feita a importação dos combustíveis? Quem participa em cada etapa, desde a aquisição internacional até à distribuição? Que factores determinam o preço final pago pelo consumidor? Uma complexa equação para compreender a crise, as soluções possíveis e saber “O Preço de Cada Litro”.
Texto Celso Chambisso


























































