A Save the Children prevê distribuir 75 milhões de refeições a alunos nacionais até 2031, através do programa “Nutrir para Aprender”, uma iniciativa de alimentação escolar que deverá abranger 245 escolas e beneficiar cerca de 80 mil alunos por ano nos distritos de Manhiça, Matutuíne, Moamba e Magude, informou a agência Lusa.
Segundo o órgão, o programa, lançado esta terça-feira (22) no distrito da Manhiça, província de Maputo, terá uma duração de seis anos e pretende contribuir para a melhoria da aprendizagem, nutrição e bem-estar das crianças, combinando a alimentação escolar com intervenções nas áreas de saúde, literacia, água e saneamento e infra-estruturas.
A iniciativa é financiada pelo programa internacional McGovern-Dole Food for Education and Child Nutrition, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América, e foi apresentada pela directora da Save the Children em Moçambique, Ilaria Malunza, como um complemento aos esforços do Governo nas áreas de educação e nutrição.
“É por isso que este programa é tão importante. O ‘Nutrir para Aprender’ procura contribuir para a melhoria da aprendizagem, da nutrição e do bem-estar das crianças, reforçando os esforços que o Governo de Moçambique já vem realizando nestas áreas”, afirmou.
Alimentação ligada à produção local
Além da distribuição de refeições, o programa prevê uma componente de aquisição local de alimentos. Segundo a Save the Children, durante os dois primeiros anos as refeições serão compostas inicialmente por arroz, ervilha e óleo fortificados fornecidos pelos Estados Unidos.
A partir do terceiro ano de implementação, o programa deverá passar a integrar 2390 toneladas métricas de frutas, hortícolas, farinha de milho e feijão-nhemba adquiridos localmente nos distritos abrangidos pela iniciativa na província de Maputo.
A componente pretende contribuir para o fortalecimento da economia local, criando uma ligação entre a alimentação servida nas escolas e a produção agrícola dos distritos abrangidos pelo programa.
É por isso que este programa é tão importante. O ‘Nutrir para Aprender’ procura contribuir para a melhoria da aprendizagem, da nutrição e do bem-estar das crianças, reforçando os esforços que o Governo de Moçambique já vem realizando nestas áreas
Ilaria Malunza
Ao longo dos seis anos, além das refeições escolares, o “Nutrir para Aprender” prevê intervenções nas áreas de literacia, saúde e nutrição, infra-estruturas, água e saneamento, bem como o reforço do acesso das crianças a serviços essenciais de saúde.
Para Ilaria Malunza, o investimento na alimentação e educação das crianças tem efeitos que ultrapassam o ambiente escolar.
“Investir numa criança que aprende e se alimenta bem hoje é investir numa comunidade mais forte amanhã. É investir na estabilidade, na prosperidade e no desenvolvimento futuro de uma nação”, afirmou.
Programa alinhado com metas do Governo
No lançamento, o governador da província de Maputo, Manuel Tule, considerou a iniciativa importante por reforçar os esforços do Governo nas áreas de acesso à educação, segurança alimentar e desenvolvimento integral das crianças e comunidades.
Segundo o governante, o programa está alinhado com a meta do Governo de reduzir a desnutrição crónica para 30% até 2029, no âmbito do Programa Quinquenal do Governo 2025-2029.
Investir numa criança que aprende e se alimenta bem hoje é investir numa comunidade mais forte amanhã. É investir na estabilidade, na prosperidade e no desenvolvimento futuro de uma nação
Ilaria Malunza
“Esta intervenção promove a educação alimentar e nutricional, incentiva hábitos de vida saudáveis e cria oportunidades para o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades, incluindo no domínio da produção agrícola e da gestão sustentável dos recursos”, afirmou.
Para Tule, melhorar as condições nutricionais das crianças contribui também para criar condições para uma aprendizagem mais efectiva e para a formação de cidadãos mais saudáveis e preparados para participar no desenvolvimento do País.
O governador reafirmou ainda o compromisso do Executivo provincial de aprofundar a cooperação com os Estados Unidos da América na promoção de uma educação mais inclusiva e equitativa, capaz de responder às necessidades das crianças.
“Que o projecto Nutrir para Aprender seja uma expressão concreta da nossa determinação colectiva de colocar as crianças no centro das nossas comunidades”, concluiu.


























































