Está cada vez mais fácil entrar num ciclo de endividamento. O crédito surge de forma quase automática no descoberto bancário, nos empréstimos através de aplicações móveis e até no momento de pagar uma conta. Em alguns bancos, é possível escolher entre liquidar uma despesa com o saldo disponível na conta ou transferir o valor para o cartão de crédito. No entanto, pagar uma conta com outra dívida apenas adia o problema, que reaparece na factura seguinte.
Com o descoberto bancário, o processo pode ser ainda mais silencioso. O cliente utiliza parte do valor disponível, não repõe o montante no mês seguinte e, quando se apercebe, já incorporou aquele dinheiro no orçamento, passando a pagar juros sobre juros.
Quando este ciclo se instala, limpar o nome não significa necessariamente pagar todas as dívidas de uma só vez. Para quem não dispõe de dinheiro suficiente para resolver tudo imediatamente, o desafio passa por definir prioridades e determinar quanto do rendimento pode ser destinado ao pagamento das dívidas sem comprometer as despesas essenciais ou criar novos encargos.
Quais as dívidas a pagar primeiro?
A dívida mais antiga ou de maior valor não é necessariamente aquela que deve ser paga primeiro. A prioridade deve ter em conta os juros, os riscos associados e a capacidade de pagamento.
Uma forma prática de estabelecer a ordem é:
- Preservar as despesas essenciais: habitação, alimentação, água, energia, saúde e transporte devem vir antes do pagamento aos credores. Sem estes recursos, qualquer acordo corre o risco de não ser cumprido;
- Avaliar as dívidas com consequências mais graves: devem merecer atenção especial os débitos que podem levar à perda de um bem importante. Para empresários, também são relevantes as obrigações fiscais, laborais e contributivas;
- Atacar as dívidas que crescem mais rapidamente: o crédito rotativo do cartão e o descoberto bancário podem assumir prioridade devido aos juros elevados, que fazem aumentar rapidamente o montante em dívida;
- Comparar valor, juros, prazo e impacto no orçamento: estes critérios ajudam a estabelecer prioridades sem comprometer a capacidade financeira do devedor.
Quanto do rendimento deve ser destinado às dívidas?
Não existe uma percentagem que funcione para todas as pessoas. Uma referência apontada pelos especialistas situa-se entre 20% e 30% do rendimento líquido, desde que as despesas essenciais estejam asseguradas.
A conhecida regra 50/30/20 também pode servir como ponto de partida:
- 50% do rendimento: necessidades como habitação, alimentação, transporte e despesas básicas;
- 30%: despesas não essenciais;
- 20%: objectivos financeiros, incluindo o pagamento de dívidas.
Para quem está endividado, parte dos 30% destinados a despesas não essenciais pode ser temporariamente canalizada para o pagamento dos débitos. Ainda assim, esta divisão não deve ser encarada como uma regra rígida.
É igualmente importante manter uma margem financeira. Se, depois das despesas básicas, sobram 1000 unidades monetárias, comprometer todo esse valor com uma prestação pode deixar a pessoa sem recursos para um medicamento, uma reparação ou outra despesa inesperada.
Neste caso, negociar uma prestação mais baixa e conseguir cumpri-la até ao fim pode ser mais sustentável do que aceitar uma condição aparentemente vantajosa e voltar a entrar em incumprimento poucos meses depois.
Fonte: Infomoney























































