Pelo menos quatro pessoas foram mortas e outras 14 raptadas durante ataques atribuídos a supostos grupos terroristas no distrito de Muidumbe, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, segundo fontes locais citadas pela Lusa.
O primeiro incidente ocorreu na terça-feira, 22 de Setembro, na zona baixa de Naneve, na aldeia de Nangunde, onde um grupo de pessoas se encontrava a destilar nipa, uma bebida alcoólica tradicional.
“Chegaram terroristas em Naneve, na baixa de Nangunde e encontraram pessoas a destilar nipa [bebida alcoólica local] e cercaram-nas e ordenaram para que seguissem com eles a uma distância de menos de um quilómetro, atiraram contra dois homens do grupo e mataram outros dois que se encontravam em estado de embriaguez e que não conseguiram fugir”, relatou uma fonte a partir de Muidumbe.
Segundo relatos de populares, duas das vítimas terão sido mortas depois de alegarem não dispor do dinheiro exigido pelos atacantes para garantir a sua libertação. Os corpos foram enterrados esta quarta-feira pela força local.
No mesmo local, os insurgentes terão raptado pelo menos oito pessoas, que permanecem desaparecidas. “Levaram oito pessoas e não sabemos o paradeiro”, disse uma das fontes.
Além de Nangunde, foram ainda denunciados raptos de pelo menos seis pessoas na segunda-feira, na aldeia de Xitaxi, localizada a cerca de 50 a 60 quilómetros da sede distrital de Muidumbe, ao longo da Estrada Nacional 380 (N380).
ONU alerta para agravamento da violência
Os novos incidentes ocorrem num contexto de persistência da insurgência armada em Cabo Delgado, província rica em gás natural, onde o conflito iniciado em 2017 já provocou mais de 6600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo organizações internacionais.
A violência na província tem também sido acompanhada por um aumento dos raptos. Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), os incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período de 2025.
O relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), refere que foram registados mais de 400 incidentes de conflito nos primeiros seis meses deste ano, incluindo homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.
Actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, entre as quais aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas que regressaram às suas zonas de origem
A ONU alerta ainda que os raptos estão a ser utilizados de forma crescente para obtenção de resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.
Actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, entre as quais aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas que regressaram às suas zonas de origem.
“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere o relatório da ONU.


























































