Os militares na reserva e na reforma das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) estão a ser incentivados a organizar-se em pequenos grupos e cooperativas para desenvolver actividades no sector agrário e beneficiar das oportunidades de financiamento disponíveis para o agro-negócio, informou a Agência de Informação de Moçambique.
Segundo o órgão, as declarações foram feitas num seminário da Direcção-Geral dos Serviços Sociais das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, realizado em Maputo sob o lema “Da Reforma ao Empreendedorismo – Transformando Experiências em Oportunidades de Desenvolvimento”.
No encontro, o consultor da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, Adriano Júnior, apresentou as opções de financiamento disponíveis através do projecto de Financiamento Inovativo para o Agro-Negócio (FINOVA), que conta com uma linha de crédito de 33,5 milhões de euros disponibilizada pelo Governo alemão.
Segundo Adriano Júnior, o financiamento está estruturado em duas componentes, destinadas a diferentes necessidades dos agro-negócios: capital de investimento e capital de fundo de maneio.
“O capital de investimento é para permitir que os agro-negócios tenham o potencial de comprar tractores, sistemas de irrigação, ou seja, tudo aquilo que é um investimento fixo nas suas operações agrícolas”, explicou.
Já o capital de fundo de maneio destina-se a assegurar recursos para a compra, o processamento e a comercialização da produção agrícola.
Cooperativas como via de acesso ao financiamento
É neste modelo de organização colectiva que os Serviços Sociais das FADM identificam uma possibilidade de facilitar a participação dos militares na reserva e na reforma em actividades produtivas.
O director-geral dos Serviços Sociais das FADM, Samuel Luluva, explicou que a iniciativa pretende incentivar os antigos militares a constituírem pequenos grupos ou cooperativas, permitindo-lhes organizar a actividade produtiva e criar melhores condições para aceder ao financiamento e comercializar os seus produtos.
“O capital de investimento é para permitir que os agro-negócios tenham o potencial de comprar tractores, sistemas de irrigação, ou seja, tudo aquilo que é um investimento fixo nas suas operações agrícolas.”
Adriano Júnior
“A iniciativa é, na linha do cooperativismo, abranger o maior número possível de colegas”, afirmou, referindo-se à realização faseada do seminário nas três regiões do País.
A aposta no cooperativismo procura, deste modo, transformar a experiência e as competências acumuladas pelos antigos militares ao longo da carreira em actividades económicas com capacidade de gerar rendimento.
Experiência militar como activo económico
O secretário permanente do Ministério da Defesa Nacional, Casimiro Mueio, defendeu que a passagem à reserva ou à reforma não deve representar o fim da contribuição dos antigos militares para o desenvolvimento do País.
“A passagem à reserva ou à reforma não significa o fim da contribuição para o País. A experiência, os conhecimentos, a disciplina e os valores adquiridos ao longo da carreira militar continuam a constituir um património que pode ser colocado ao serviço das famílias, das comunidades e do desenvolvimento nacional”, afirmou.
Para o responsável, estas competências podem ser aproveitadas em actividades produtivas, na criação de emprego e na geração de rendimento, com particular atenção para o sector agrário.
A proposta surge num contexto em que estão disponíveis instrumentos específicos de financiamento para actividades ligadas ao agro-negócio, criando uma possibilidade de articulação entre a organização dos antigos militares e os mecanismos de apoio ao investimento produtivo.
33,5 milhões de euros para o agro-negócio
O FINOVA dispõe de 33,5 milhões de euros disponibilizados pelo Governo alemão, através do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). Deste montante, 20 milhões de euros destinam-se ao capital de fundo de maneio e cerca de 13,5 milhões ao capital de investimento.
O projecto é operacionalizado pelo Banco de Moçambique em parceria com o Absa Bank, o Standard Bank, o BCI, a GAPI e o Microbanco Confiança, enquanto a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze deverá operacionalizar uma componente de financiamento rural.
“A passagem à reserva ou à reforma não significa o fim da contribuição para o País. A experiência, os conhecimentos, a disciplina e os valores adquiridos ao longo da carreira militar continuam a constituir um património que pode ser colocado ao serviço das famílias, das comunidades e do desenvolvimento nacional.”
Casimiro Mueio
Segundo os dados divulgados pelo Banco de Moçambique aquando do lançamento do FINOVA, em Outubro de 2025, o financiamento prevê taxas de juro entre 8,5% e 17%, abaixo da média de 23% então praticada no mercado. O projecto foi concebido para apoiar empresas e produtores ligados às cadeias de valor agrícolas.
O instrumento prevê diferentes modalidades de financiamento, que abrangem desde a aquisição de equipamentos e infra-estruturas produtivas até às operações de compra, processamento e comercialização da produção.
Para Adriano Júnior, a existência destas modalidades permite aos interessados escolher a solução mais adequada às necessidades dos respectivos projectos.
Iniciativa será expandida pelo País
O seminário promovido pelos Serviços Sociais das FADM será realizado de forma faseada nas regiões sul, centro e norte, com o objectivo de alcançar um maior número de militares na reserva e na reforma.
A iniciativa pretende, através do cooperativismo, estimular a criação de actividades económicas colectivas e aproveitar as competências adquiridas durante a carreira militar para desenvolver negócios, particularmente no sector agrário.
A proposta combina, assim, a organização dos beneficiários, o aproveitamento da experiência profissional dos antigos militares e o acesso a instrumentos de financiamento já disponíveis para apoiar actividades produtivas.



























































