Angola mobiliza anualmente menos de 40% dos 14 mil milhões de dólares de que necessita para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os compromissos da Agenda África 2063, ficando com um défice de financiamento de 8,6 mil milhões de dólares, revela o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) num relatório divulgado nesta segunda-feira (21).
De acordo com o “Relatório de Foco do País 2026 – Mobilizar o Financiamento para o Desenvolvimento de Angola em Escala num Mundo Fragmentado”, apresentado em Luanda, os 14 mil milhões de dólares correspondem às necessidades anuais totais de financiamento de Angola para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os compromissos da Agenda África 2063.
O BAD refere que o défice não resulta apenas da “insuficiência de recursos”, mas também da “limitada capacidade de Angola para mobilizar, intermediar e utilizar eficazmente o capital disponível em larga escala”.
Os níveis de investimento, estimados em 10,6% em 2025, acrescenta a instituição financeira, “permanecem abaixo do necessário para sustentarem o desenvolvimento de Angola”.
O relatório aponta a fraca intermediação financeira, a preparação inadequada de projectos, deficiências nos processos de procurement concorrencial, a elevada informalidade da economia e a escassez de fontes de financiamento de longo prazo como algumas das razões para o referido défice.
O documento salienta igualmente que a poupança interna, estimada em 15,7% em 2025, “é, em grande medida, subutilizada”, enquanto o acesso a financiamento externo concessional “é cada vez mais limitado e com taxas de juros elevadas”, num contexto agravado pela incerteza global.
Além disso, observa o BAD, a baixa mobilização de recursos internos, a fuga de capitais e o reduzido desenvolvimento dos mercados de capitais domésticos continuam a dificultar a transformação da poupança em investimento produtivo.
Na sua análise, o BAD destaca, contudo, a “forte resiliência” da economia angolana, “reflectida na melhoria da estabilidade macroeconómica e com um crescimento de 3,1% em 2025, fortemente influenciado pelo sector não petrolífero”.
Entre 2020 e 2025, os défices fiscais mantiveram-se abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a inflação média anual caiu de 25,8% para 8,79%. No mesmo período, o rácio da dívida pública sobre o PIB diminuiu de 119% para menos de 50%, refere o relatório.
O documento assinala também “alguns progressos” nos indicadores sociais, nomeadamente na esperança de vida, que aumentou de 62 para 65 anos, e na redução da mortalidade materna e infantil. Segundo o BAD, estes “ganhos, embora modestos”, contribuíram para a melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas em 2025.
“Os níveis de investimento estimados em 10,6% em 2025, acrescenta a instituição financeira, ‘permanecem abaixo do necessário para sustentarem o desenvolvimento de Angola'”
O BAD considera que, apesar dos desafios colocados pela actual “fragmentação geopolítica”, as perspectivas de crescimento de Angola se tornaram “mais favoráveis”, impulsionadas pela recuperação dos preços do petróleo. A instituição cita a última projecção do Banco Nacional de Angola, que aponta para um crescimento real do PIB de 6,15% em 2026. Contudo, observa que esta taxa “permanece insuficiente para assegurar uma redução significativa da pobreza e responder às necessidades de desenvolvimento do país”.
“Estima-se que Angola necessita de crescer pelo menos 7% ao ano para acompanhar o rápido crescimento populacional, de cerca de 3,5% ao ano, enquanto mobiliza recursos suficientes para financiar as necessidades de investimento em infra-estruturas (…)”, assinala o Banco Africano de Desenvolvimento.
Segundo o BAD, o desafio central consiste em transformar o actual impulso de crescimento numa trajectória mais elevada, sustentável e inclusiva, apoiada pela diversificação económica e pelo aumento da produtividade. A instituição considera que o sistema financeiro angolano continua pouco desenvolvido, fragmentado e concentrado nas zonas urbanas, o que limita a mobilização de capital e o crescimento inclusivo.
O BAD acrescenta que, apesar dos “progressos evidentes” nas reformas e na mitigação de riscos, subsistem lacunas na capacidade regulatória e na coordenação institucional. Neste contexto, considera que Angola poderá beneficiar de parcerias mais sólidas com os bancos multilaterais de desenvolvimento.
Fonte: Lusa



























































