O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, assinalou nesta terça-feira (22) o agravamento das desigualdades e da crise climática como fortes obstáculos ao desenvolvimento, defendendo reformas e uma resposta internacional colectiva capaz de enfrentar estes desafios.
António Guterres considerou que as desigualdades não são apenas um problema económico, mas também uma questão de poder e de acesso a oportunidades, recursos e participação nas decisões. Na abertura do debate anual da Assembleia-Geral das Nações Unidas (UNGA), em Nova Iorque, sublinhou que, apesar dos níveis sem precedentes de riqueza, conhecimento e capacidade tecnológica, milhões de pessoas continuam sem beneficiar do progresso.
Segundo o secretário-geral, enquanto algumas populações beneficiam da prosperidade e da globalização, outras enfrentam exclusão e receiam que o avanço tecnológico ameace os seus meios de subsistência. Alertou ainda para as desigualdades do sistema financeiro internacional e defendeu uma reforma da arquitectura financeira, incluindo um alívio da dívida mais rápido e justo, maior capacidade de financiamento dos bancos multilaterais de desenvolvimento e uma utilização dos direitos de saque especiais em benefício dos países mais necessitados.
Guterres destacou também a desigualdade entre homens e mulheres como “a mais universal” das formas de desigualdade, alertando para o recuo dos direitos das mulheres em várias partes do mundo e para a persistência da discriminação, violência e exclusão.
Associando a igualdade de género a sociedades mais estáveis e instituições mais eficazes, anunciou que as Nações Unidas alcançaram, pela primeira vez, a paridade de género a todos os níveis da alta direcção, em todas as sedes e entre o pessoal profissional.
“Tenho o orgulho de vos informar hoje que as Nações Unidas alcançaram a paridade de género pela primeira vez na história a todos os níveis da alta direcção, em todas as sedes e entre o pessoal profissional”, afirmou.
“A igualdade não é um sonho. É uma decisão”, acrescentou, defendendo que a mudança deve abranger também Governos, parlamentos, empresas, processos de paz e a própria Assembleia-Geral.
Na abertura do debate anual da Assembleia-Geral das Nações Unidas (UNGA), que arrancou hoje em Nova Iorque, Guterres sublinhou que a humanidade nunca teve tanta riqueza, conhecimento e capacidade tecnológica, mas que, para milhões de pessoas, o progresso continua fora do alcance.
Numa outra frente, Guterres apresentou a crise climática como “o desequilíbrio de poder intergeracional mais profundo de todos”, alertando que uma geração está a consumir o futuro da seguinte. Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, os impactos das alterações climáticas estão a surgir mais cedo e com maior intensidade do que o previsto, sendo que as energias renováveis são actualmente a fonte mais barata de nova electricidade em grande parte do mundo.
Guterres apelou aos governos para adoptarem planos de transição dos combustíveis fósseis, alinhados com o objectivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius e proteger trabalhadores e comunidades afectados, criticando a influência da indústria dos combustíveis fósseis e defendendo que os poluidores devem assumir uma maior parte dos custos dos danos causados.
Fonte: Lusa



























































