O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está a avaliar oportunidades de apoio à cidade de Maputo na gestão de resíduos sólidos e no reforço das capacidades de saneamento e drenagem, com destaque para o tratamento e reaproveitamento de águas residuais e lamas fecais, escreveu a Agência de Informação de Moçambique (AIM).
A possibilidade de cooperação foi avançada esta segunda-feira (21) pela Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem (EMSD), que pretende recolher experiências e obter assistência técnica do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e de outros parceiros para melhorar a gestão das infra-estruturas de saneamento da capital.
Segundo o presidente do Conselho de Administração (PCA) da EMSD, Borges da Silva, o município pretende aproveitar melhor as infra-estruturas existentes na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), incluindo as bacias destinadas à retenção de lamas fecais.
“O município de Maputo, através da EMSD, tem vários desafios. Dentre eles está justamente a gestão e operação da ETAR”, afirmou.
O responsável explicou que as lamas fecais podem deixar de ser tratadas apenas como resíduos e passar a ser utilizadas como matéria-prima para a produção de fertilizantes destinados à agricultura. A medida enquadra-se numa lógica de economia circular, permitindo transformar resíduos do saneamento em novos produtos e fontes de rendimento.
Para a EMSD, o apoio do BAD poderá contribuir para melhorar a gestão das infra-estruturas, preparar projectos e mobilizar financiamento.
“As agências de desenvolvimento têm pelo menos três componentes importantes que nós pensamos que podemos capitalizar. Primeiro, a componente de assistência técnica. Vamos continuar a conversar com o BAD e com as próprias agências para ver se conseguimos mobilizar assistência técnica para a EMSD e elaboração de projectos”, disse Borges da Silva.
O representante residente do BAD, Rômulo Cunha Corrêa, destacou o potencial das instalações da ETAR e mostrou-se impressionado com a capacidade da empresa municipal para expandir as suas actividades e aumentar o tratamento de águas residuais para os municípios de Maputo e Matola.
“Fiquei realmente surpreso com a capacidade da empresa de gerir a sua expansão das actividades, gerando uma capacidade de tratamento muito maior para os munícipes de Maputo e Matola”, afirmou.
Segundo Rômulo Cunha Corrêa, um dos aspectos que mais chamou a atenção do BAD foi o potencial da EMSD para aplicar princípios de economia circular. A ideia passa por dar uma utilização produtiva a resíduos que anteriormente não tinham aproveitamento específico, incluindo a produção de fertilizantes para a agricultura ou de biogás para geração de energia, contribuindo para a transição energética de Moçambique.

A cidade de Maputo enfrenta desafios crescentes no saneamento e na drenagem, agravados pelo impacto das alterações climáticas e pela obsolescência de parte das infra-estruturas existentes. Segundo a EMSD, é necessário expandir a rede pública de saneamento e drenagem, sobretudo para responder às necessidades das zonas periurbanas.
“Há necessidade de expansão dos serviços de saneamento e drenagem da rede pública. Há várias áreas periurbanas e todo esse manancial de projectos que nós precisamos e para os quais possamos convidar as agências de desenvolvimento”, afirmou Borges da Silva.
A EMSD mantém contactos com outras agências, além do BAD, para mobilizar apoio técnico e financeiro destinado à preparação e execução de projectos.
A dimensão dos desafios reflecte-se também nos custos de funcionamento da empresa, que actualmente rondam 2,5 milhões de meticais por mês. Neste contexto, a transformação de lamas fecais em fertilizantes e o aproveitamento do biogás para a produção de energia são apontados como possibilidades para melhorar a gestão dos resíduos e reduzir desperdícios, ao mesmo tempo que podem criar novas fontes de receita.



























































