A produção de grafite no País, mineral estratégico para o fabrico de baterias de veículos eléctricos atingiu 25 474 toneladas, superando em 72% a meta anual estabelecida pelo Governo.
Dados da execução governamental entre Janeiro e Junho indicam que a produção de grafite cresceu 278% face às 6734 toneladas produzidas no mesmo período de 2025. O resultado corresponde a 172% da meta anual fixada para 2026, de 14 815 toneladas.
Segundo o documento do Governo, o desempenho reflecte a “consistência operacional do maior produtor deste mineral e a entrada no mercado de uma nova empresa em Niassa”, factores que contribuíram para o aumento da produção nacional.
Os números apontam para uma recuperação de um sector que enfrentou fortes constrangimentos operacionais nos últimos anos e que é considerado estratégico para a cadeia global de produção de baterias para veículos eléctricos.
Em 2025, a produção nacional de grafite já tinha aumentado 92%, para 67 078 toneladas, contra 34 899 toneladas registadas em 2024. Ainda assim, o nível permaneceu abaixo do máximo histórico de 165 946 toneladas alcançado em 2022.
A produção caiu para 97 346 toneladas em 2023 e voltou a recuar para 34 899 toneladas em 2024, antes de iniciar uma trajectória de recuperação.
Entre os principais produtores nacionais destaca-se a mina de Balama, em Cabo Delgado, operada pela australiana Syrah Resources e considerada uma das maiores explorações de grafite natural do mundo fora da China.
Resultados semestrais divulgados pela empresa em Agosto mostram que a recuperação operacional da mina prosseguiu em 2026. Entre Janeiro e Junho, a produção bruta alcançou cerca de 25 800 toneladas, quase quatro vezes acima das 6500 toneladas registadas no mesmo período de 2025.
As vendas e expedições para clientes totalizaram aproximadamente 26 600 toneladas, contra apenas 1800 toneladas no primeiro semestre do ano anterior.
A empresa explica que os resultados superaram os registados no período homólogo, que tinha sido fortemente afectado pela paralisação prolongada das operações. A Syrah reconhece, contudo, que o mercado continua condicionado pela procura moderada de grafite natural fora da China, pelo excesso de oferta mundial e pela concorrência dos produtores chineses.
Em Janeiro, o Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou, na província de Niassa, uma fábrica de processamento de grafite de capital chinês avaliada em cerca de 200 milhões de dólares
A empresa destacou ainda os progressos da sua unidade de Vidalia, no estado norte-americano da Louisiana, destinada à produção de material anódico activo, componente utilizado no fabrico de baterias para veículos eléctricos.
Durante o primeiro semestre, a unidade produziu cerca de 150 toneladas de material anódico para processos de qualificação junto de clientes e para demonstrar as capacidades industriais da instalação.
Segundo a Syrah, as primeiras vendas comerciais de material anódico produzido nos Estados Unidos da América (EUA), a partir de grafite extraído em Moçambique, deverão começar ainda no segundo semestre de 2026.
A estratégia da empresa passa por combinar a produção da mina de Balama com o fabrico de materiais para baterias nos EUA, numa altura em que Governos e fabricantes de automóveis procuram diversificar as cadeias de abastecimento e reduzir a dependência da China.
Novo investimento em Niassa
Em Janeiro deste ano, o Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou, na província de Niassa, uma fábrica de processamento de grafite de capital chinês avaliada em cerca de 200 milhões de dólares.
Localizada no distrito de Nipepe, a unidade tem capacidade instalada para processar até 200 mil toneladas de minério por ano e deverá transformar localmente o grafite destinado a aplicações industriais de maior valor acrescentado. A fábrica emprega actualmente mais de mil trabalhadores e prevê aumentar esse número para mais de dois mil postos de trabalho quando atingir a capacidade máxima.
A entrada de novos operadores, aliada à recuperação da produção de Balama, reforça a importância do grafite entre os minerais estratégicos de Moçambique e poderá aumentar a participação do País nas cadeias internacionais de produção de baterias e de veículos eléctricos.
Fonte: Lusa



























































