O Município de Maputo consegue recolher apenas 60% das cerca de 1366 toneladas de lixo produzidas diariamente na capital, deixando centenas de toneladas de resíduos fora do sistema formal de recolha, segundo dados apresentados pelo vereador de Infra-estruturas e Salubridade, João Munguambe.
A revelação foi feita no sábado, 19 de Setembro, durante uma campanha de limpeza realizada ao longo de mais de dois quilómetros da praia da Costa do Sol, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Limpeza. A iniciativa mobilizou mais de 500 voluntários de instituições públicas e privadas.
Munguambe reconheceu que a gestão dos resíduos continua a ser um dos principais desafios de salubridade da capital e defendeu que a solução não pode depender apenas das acções do Conselho Municipal.
“Não podemos gerir o que não medimos. Maputo, como capital, produz actualmente entre 1200 e 1800 toneladas de lixo por dia”, disse.
De acordo com os dados apresentados pelo vereador, a produção diária de resíduos ronda actualmente as 1366 toneladas e poderá aumentar para 1382 toneladas por dia em 2027.
A limitada capacidade de recolha faz com que centenas de toneladas de resíduos permaneçam diariamente no ambiente, sobretudo em valas de drenagem, bermas e zonas costeiras.
“Estamos a recolher 60%. O resto está nas valas, nas bermas e no mar”, afirmou Munguambe.
Para reduzir o défice de recolha, o Conselho Municipal de Maputo anunciou o reforço dos meios disponíveis, incluindo a distribuição de 100 novos contentores nos bairros com maior acumulação de resíduos. Do total, 80 terão capacidade para 1100 litros e 20 para seis metros cúbicos.
O município prevê igualmente reforçar a frota com mais cinco camiões e manter os pagamentos às 45 micro-empresas responsáveis pela recolha primária de resíduos através de carrinhos de mão.
Munguambe defendeu, contudo, que a limpeza da cidade não deve ser encarada como uma tarefa pontual nem como responsabilidade exclusiva do município.
“A acção de limpeza não pode ser uma tarefa de um só dia, nem responsabilidade exclusiva do Conselho Municipal, mas uma responsabilidade colectiva e permanente”, vincou.
KaTembe e Matlemele entre as apostas
A construção do Aterro Sanitário de KaTembe é apontada como uma das principais apostas para melhorar a gestão dos resíduos em Maputo. A infra-estrutura deverá incluir sistemas de triagem e reciclagem, além de mecanismos de captação de gás para produção de energia.
O plano prevê igualmente o encerramento progressivo da lixeira de Hulene e a sua futura reabilitação.
O chefe do Departamento Ambiental do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Sérgio Covane, defendeu que a resposta ao problema dos resíduos deve passar também pela criação de uma rede de infra-estruturas de tratamento e reciclagem.
Segundo Covane, Moçambique produz cerca de 4,2 milhões de toneladas de resíduos por ano, dos quais aproximadamente 98% são encaminhados para lixeiras a céu aberto.
Além do aterro de KaTembe, está em construção o aterro de Matlemele, na província de Maputo, enquanto estão projectadas infra-estruturas semelhantes em Nacala, Nampula e Pemba.
O Governo dispõe ainda de 24 milhões de euros, provenientes de financiamento próprio e de parceiros, para a construção de três fábricas de reciclagem de plástico, vidro e resíduos orgânicos.
Campanhas de limpeza
A campanha realizada na Costa do Sol terminou com a recolha de 3,5 toneladas de resíduos, das quais 1,2 toneladas correspondiam a plástico. O restante material incluía garrafas, papel, ferro e outros resíduos.
Para Sérgio Covane, porém, campanhas de limpeza isoladas não serão suficientes para resolver o problema se não forem acompanhadas por uma mudança no comportamento dos cidadãos.
“Cidade livre de lixo não é aquela que o Município limpa todos os dias, mas sim aquela onde o cidadão não suja.”
Entre as medidas previstas pelo Governo está também a regulamentação de uma proposta para proibir sacos plásticos finos até 2027 e obrigar as grandes superfícies comerciais a receberem de volta determinadas embalagens.
As autoridades anunciaram ainda o programa “Escola Limpa, Bairro Limpo”, que deverá abranger 100 escolas de Maputo e Matola, com o objectivo de envolver os alunos na sensibilização ambiental das famílias e comunidades.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique


























































