As autoridades suspenderam quatro agentes da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no posto de fiscalização de Lindela, próximo do local onde ocorreu um acidente que provocou a morte de 24 pessoas na província de Inhambane.
De acordo com a Lusa, a informação foi avançada pelo comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Joaquim Sive, após uma visita ao local do acidente. Entre os suspensos estão o chefe do grupo, um inspector da polícia, o respectivo adjunto, um subinspector e dois agentes da Polícia de Trânsito.
O acidente ocorreu na quinta-feira (17), por volta das 23h00 locais, na Estrada Nacional Número 1 (N1), na localidade de Helene, quando uma viatura de transporte de passageiros embateu frontalmente contra um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
Do acidente resultaram 24 mortos e dois feridos. Segundo a polícia, o excesso de velocidade e possíveis falhas mecânicas estão entre as causas do sinistro.
Joaquim Sive explicou que a viatura terá passado pelo posto de fiscalização de Lindela já com excesso de passageiros. O veículo tinha capacidade para 17 pessoas, mas transportava 24, ou seja, sete acima da lotação prevista.
“Percebemos que a viatura terá passado por um posto de controlo nosso e o mais próximo aqui é o de Lindela. Alguma situação deve ter ocorrido”, afirmou o comandante-geral.
Sive questionou como foi possível a viatura passar pelos pontos de fiscalização sem que o excesso de passageiros tivesse sido detectado, defendendo que a situação deverá ser esclarecida no âmbito das averiguações.
O comandante-geral salientou, contudo, que a suspensão dos agentes constitui uma medida de responsabilização e não uma solução para o problema da sinistralidade rodoviária.
“Não estamos a dizer que é solução, é uma questão de responsabilização. Temos de encontrar em conjunto a solução para resolvermos o problema da segurança”, disse.
Após o acidente, a Federação Moçambicana das Associações dos Transportes (FEMATRO) apelou à adopção de uma “condução defensiva” e propôs a integração das equipas policiais de fiscalização nas operações de controlo das empresas transportadoras.
O Presidente da República, Daniel Chapo, lamentou igualmente a perda de vidas humanas naquele que foi descrito como um dos acidentes rodoviários mais graves registados este ano no País, defendendo a adopção de medidas para reduzir a sinistralidade nas estradas.
O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, confirmou que o acidente envolveu uma viatura das FADM e um veículo de transporte de passageiros que circulava em sentido contrário.
Sinistralidade continua a ser um desafio
A sinistralidade rodoviária continua entre as principais causas de morte em Moçambique. Dados oficiais divulgados na quinta-feira indicam que pelo menos 239 pessoas morreram e 1112 ficaram feridas em 169 acidentes registados no primeiro semestre deste ano.
Em 2025, o País registou 611 acidentes rodoviários, que provocaram 830 mortes. Perante a dimensão do problema, o Governo avançou com a revisão do Código da Estrada.
Em Junho, o Conselho de Ministros autorizou a revisão do diploma, que prevê, entre outras medidas, a introdução da carta de condução por pontos e a utilização de câmaras de videovigilância para reforçar a fiscalização rodoviária.
A proposta prevê ainda o reforço dos mecanismos de fiscalização e controlo das infracções rodoviárias, bem como a harmonização das normas do Código da Estrada com a legislação penal nacional.



























































