O presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Lourino Alberto Chemane, defendeu esta sexta-feira (18), em Maputo, que Moçambique não deve limitar-se a importar modelos de inteligência artificial desenvolvidos no estrangeiro, devendo igualmente criar soluções próprias adaptadas às necessidades e desafios do País.
Chemane falava durante a 2.ª edição do FUNDEC Economic Outlook, realizada em Maputo, num encontro dedicado à discussão dos principais desafios e oportunidades ligados à competitividade, produtividade, emprego, transformação digital e futuro do sector empresarial moçambicano.
Segundo o PCA do INTIC, a inteligência artificial deve ser encarada como uma oportunidade estratégica para acelerar o desenvolvimento económico e social de Moçambique, sobretudo através da sua aplicação na resolução de problemas concretos da economia nacional.
“Devemos deixar de olhar para a inteligência artificial apenas como uma tecnologia sofisticada usada por grandes economias. Devemos encará-la como uma oportunidade estratégica para acelerar o nosso próprio processo de desenvolvimento económico e social”, afirmou.
Lourino Chemane considerou que a questão central já não deve ser apenas saber como utilizar a inteligência artificial, mas perceber de que forma a tecnologia pode ser aplicada na resolução de problemas específicos de Moçambique e na criação de valor para a economia. Na sua intervenção, defendeu que o País precisa de desenvolver uma cultura de decisão baseada em dados e evidências, permitindo ao Estado conhecer melhor a economia real, às empresas compreender os seus mercados e aos investidores ter acesso a informação económica de qualidade.
Para Chemane, os dados devem passar a ser tratados como um activo estratégico nacional, desde que sejam devidamente protegidos, organizados e utilizados para apoiar a inovação, a competitividade e o surgimento de novos modelos de negócio. O PCA do INTIC alertou, contudo, que a transformação digital não depende apenas da existência de tecnologia.
“Dados sem governação não produzem confiança, informação sem qualidade não produz boas decisões e tecnologia sem competência não produz transformação sustentável”, afirmou.
Entre os pilares considerados essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial em Moçambique, Chemane apontou as infra-estruturas digitais, a governação de dados, a formação de capital humano, a inovação e o empreendedorismo, a cibersegurança e a criação de mecanismos de governação responsável da própria inteligência artificial.
O responsável destacou ainda a necessidade de reforçar a conectividade, os centros de dados, a capacidade de computação, os serviços digitais seguros e o acesso generalizado à Internet, como condições para permitir que cidadãos e empresas participem de forma efectiva na economia digital.
No domínio da inovação, Chemane foi mais directo ao defender que Moçambique não deve depender exclusivamente de soluções desenvolvidas fora do País.
“A visão do Governo de Moçambique é que o nosso País não deve só adoptar modelos de inteligência artificial desenvolvidos fora. Temos de desenvolver modelos de inteligência artificial”, declarou.
Neste contexto, apelou às empresas moçambicanas, startups, instituições de ensino superior, centros de inovação e parques tecnológicos para assumirem um papel mais activo no desenvolvimento de soluções nacionais orientadas para problemas locais. Chemane referiu igualmente que a inteligência artificial pode produzir impactos em sectores como agricultura, energia, mineração, turismo, comunicações, logística, pescas, indústria, comércio e serviços, desde que seja integrada numa estratégia de desenvolvimento económico.
O PCA do INTIC sublinhou ainda que a adopção da inteligência artificial deve ser acompanhada por princípios de transparência, responsabilidade, segurança, privacidade, não discriminação e supervisão humana.
“A tecnologia não deve substituir a responsabilidade humana, mas aumentar a capacidade humana de resolver problemas e criar desenvolvimento”, defendeu.
Chemane revelou também que Moçambique está a finalizar a elaboração da Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, documento que deverá orientar a adopção e o desenvolvimento da tecnologia no País. Segundo o responsável, empresas e outros actores da sociedade ainda podem apresentar contributos para o documento antes da sua submissão ao Governo.
Para o PCA do INTIC, a inteligência artificial deve ser entendida para além da dimensão tecnológica, constituindo igualmente uma agenda económica, empresarial e social.
“Não deve ser vista como uma agenda exclusivamente tecnológica. Ela é, acima de tudo, uma agenda económica, empresarial, social e de desenvolvimento de Moçambique”, concluiu.
Texto: Felisberto Ruco



























































