Mapulu é uma banda, ou um colectivo de músicos, reunido por Roland Hohberg (que não era membro do grupo), um alemão de Leste que vivia em Maputo. O segundo álbum do colectivo, Soul Marrabenta (2001, um ano depois da sua formação), é uma obra cheia de energia, com temas como ‘Bula Bula’.
A banda combinava sonoridades de raízes tradicionais com rap consciente, influenciado pela música norte-americana. O nome do grupo surgiu da ideia de juntar músicos de diferentes gerações e procurar estabelecer um diálogo comum.
Chonyl, vocalista do grupo, faleceu em 2007, aos 27 anos. Fez parte da banda até 2003, antes de seguir uma carreira a solo.
Há três anos, Hohberg publicou “O País”, uma música dos Mabulu com a participação de Azagaia e Seguindo Sonhos, na sua página do SoundCloud.
Mas como conseguem os artistas deste género ganhar dinheiro na era digital? Numa altura em que os ouvintes de todo o mundo têm muito mais probabilidade de ouvir música no YouTube e noutros serviços de streaming do que de comprar um CD ou LP, continua a ser possível construir uma carreira sustentável fora do universo das grandes estrelas?
Streaming
Para artistas como Mapulu — e praticamente todos, excepto nomes como Ed Sheeran e Taylor Swift, que acumulam milhares de milhões de reproduções — o streaming é menos uma fonte de rendimento do que um cartão de visita. Plataformas como Spotify, Apple Music e YouTube pagam apenas uma pequena fracção de cêntimo por reprodução — normalmente entre 0,003 e 0,005 dólares norte-americanos —, o que significa que seriam necessárias centenas de milhares de reproduções mensais para alcançar um rendimento modesto em determinados países.
A maioria dos músicos independentes encara, por isso, os royalties do streaming sobretudo como uma ferramenta de descoberta: uma forma de permitir que novos ouvintes encontrem a sua música, o que pode posteriormente conduzir a fontes de rendimento mais lucrativas, como concertos, venda de merchandising ou apoio directo dos fãs.
O streaming continua, contudo, a ser importante por outras razões. Mantém o catálogo de um artista disponível e acessível em todo o mundo e, sobretudo em géneros mais específicos, pode ligar ouvintes da diáspora a públicos internacionais interessados que, de outra forma, talvez nunca tivessem contacto com um CD físico. Os artistas não podem, por isso, depender apenas do streaming. Muitas vezes, complementam os lançamentos com listas de e-mail, interacção nas redes sociais e chamadas à acção — comprar o álbum, assistir a um concerto ou adquirir uma camisola, por exemplo.
Concertos
As actuações ao vivo continuam a ser uma das principais fontes de rendimento para a maioria dos músicos profissionais. Para um colectivo como Mapulu, os concertos podem variar entre espaços locais em Maputo e festivais regionais, até eventos culturais internacionais dedicados à música lusófona ou africana. A divisão das receitas de bilheteira, os pagamentos garantidos pelos espaços e a venda de merchandising no local podem gerar, numa única noite, muito mais dinheiro do que vários meses de streaming.
Existe também um benefício menos tangível nos concertos: a possibilidade de criar uma ligação mais forte e duradoura com os fãs. Uma actuação memorável pode transformar um ouvinte ocasional num fã que procura o catálogo anterior da banda, partilha a sua música e regressa aos seus concertos quando esta volta a actuar na sua zona.
É neste aspecto que a música se diferencia de outras indústrias. Em áreas consideradas menos emocionais, como as apostas desportivas, um cliente pode escolher experimentar uma casa de apostas e, na semana seguinte, optar por outra, numa decisão que pode depender das promoções disponíveis ou das odds oferecidas. Na música, pelo contrário, a relação entre artista e público pode prolongar-se durante décadas. Um fã pode manter-se ligado a determinado artista muito depois de se apaixonar pela sua música num concerto ou de ouvir determinada canção pela primeira vez.
Merchandising
É no merchandising que as margens de lucro podem ser mais interessantes. Para além das tradicionais camisolas, artigos como discos de vinil de edição limitada, obras de arte desenhadas e produzidas à mão e, em alguns casos, downloads digitais com faixas-bónus exclusivas podem revelar-se particularmente atractivos para os fãs mais dedicados.
É importante destacar que o merchandising vendido durante os concertos ou através de plataformas directamente vocacionadas para os fãs, como Bandcamp e Shopify, permite que uma maior parte da receita chegue ao artista do que quando os produtos são vendidos através de retalhistas terceiros.
Existe ainda uma dimensão mais tangível. Um fã que veste uma camisola de um artista transforma-se, de certa forma, num embaixador desse artista: pode iniciar conversas, despertar a curiosidade de outras pessoas e levar novos ouvintes a descobrir a sua música.



























































