A Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) encerrou o exercício financeiro de 2025-26 com um lucro líquido de 37 milhões de dólares, uma queda de 20,8% face aos 46,7 milhões de dólares alcançados no período anterior, num ano marcado pela redução da produção e das vendas de gás natural nos campos de Pande e Temane, em Inhambane.
De acordo com o Relatório Anual e Demonstrações Financeiras da companhia, as receitas provenientes da venda de bens e serviços recuaram 12,3%, de 111,4 milhões de dólares em 2024/2025 para 97,7 milhões de dólares no exercício terminado em Junho de 2026.
A pressão foi igualmente sentida na operação conjunta de Pande e Temane, onde a CMH detém uma participação de 25%. O resultado operacional da companhia nesta operação caiu 23%, de 94,7 milhões para 72,8 milhões de dólares. A empresa atribui a redução sobretudo aos baixos preços praticados no mercado internacional e à diminuição do volume de vendas.
Os dados operacionais mostram que as vendas acumuladas de gás natural diminuíram 15,6%, de 168,4 milhões para 142,2 milhões de gigajoules. A maior quebra ocorreu no gás fornecido à Sasol ao abrigo do contrato GSA1, cujo volume caiu 22,75%, de 115,65 milhões para 89,34 milhões de gigajoules.
As vendas de condensado também recuaram 11,1%, para cerca de 278,7 mil barris, contra 313,6 mil barris no exercício anterior. O relatório explica que parte desta quebra esteve relacionada com constrangimentos no escoamento do produto, sobretudo durante o período de chuvas.
Na produção, a CMH registou uma média bruta de 402 milhões de pés cúbicos de gás por dia, menos cerca de 90 milhões de pés cúbicos diários do que no exercício anterior, o que corresponde a uma redução de aproximadamente 18%.
“As vendas de condensado também recuaram 11,1%, para cerca de 278,7 mil barris, contra 313,6 mil barris no exercício anterior”
CMH
O desempenho foi condicionado por problemas de integridade em alguns furos, pela indisponibilidade temporária de equipamentos na Central de Processamento e pelas condições meteorológicas adversas registadas entre Janeiro e Fevereiro. As chuvas afectaram a circulação na Estrada Nacional Número Um, dificultando o transporte de condensado e obrigando a empresa a ajustar temporariamente a produção.
Apesar da redução do lucro, a administração destaca que a empresa manteve a capacidade de geração de caixa. O EBITDA atingiu 72,7 milhões de dólares no exercício, enquanto a rentabilidade do capital próprio subiu de 17% para 19% e a rentabilidade dos activos passou de 12% para 13%.
O principal desafio, porém, está no futuro dos campos de Pande e Temane. A administração reconhece que as reservas remanescentes estão associadas a um processo natural de declínio da produção e que os investimentos em curso para optimizar a extracção não eliminam a necessidade de preparar novas fontes de receita para a companhia.
“A questão que se coloca perante a CMH é, portanto, clara: como garantir que a Empresa continue a ser economicamente relevante e sustentável quando a produção de Pande e Temane deixar de proporcionar os níveis actuais de receitas e de geração de caixa?”, refere o presidente do Conselho de Administração, Reis Mudavanhe.
Segundo o gestor, a resposta passa por antecipar esse cenário e diversificar os negócios. “Temos de começar hoje a construir o portfólio do amanhã”, afirma.
A CMH indica que uma das prioridades estratégicas para os próximos anos será identificar e avaliar novas oportunidades, tanto no sector de petróleo e gás como em áreas complementares, procurando reduzir gradualmente a dependência das receitas provenientes de Pande e Temane.
A companhia pretende ainda aproveitar a experiência técnica, a capacidade financeira e o conhecimento acumulados ao longo dos anos para sustentar uma nova fase de crescimento. “Queremos utilizar esse património para lançar as bases de uma nova CMH, mais diversificada, competitiva, eficiente e preparada para o futuro”, refere a administração.
Texto: Felisberto Ruco



























































