A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou sinais encorajadores de que as medidas para conter o surto do ébola na República Democrática do Congo (RDC) estão a produzir resultados, embora alerte que a epidemia “está longe de terminar”.
Segundo a Reuters, o director-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou que a transmissão está a diminuir nas zonas mais afectadas da província de Ituri.
“Estamos agora a começar a ver sinais encorajadores de que estamos a ganhar terreno”, disse Tedros durante uma conferência telefónica, advertindo, contudo, que o surto ainda pode alastrar devido à elevada mobilidade da população na região.
Até 11 de Setembro, a RDC tinha registado mais de 7000 casos confirmados de ébola. O actual surto já se tinha espalhado por uma sétima província e era, à data, considerado o segundo mais letal de que há registo, atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.
A OMS alertou que o reforço da vigilância poderá provocar um aumento do número de casos detectados, à medida que as autoridades melhoram a capacidade de identificar novas infecções.
Maria Van Kerkhove, directora interina da OMS para a gestão de ameaças epidémicas e pandémicas, afirmou que os esforços de rastreio de contactos também foram intensificados. “Temos muitos, muitos meses pela frente”, afirmou, acrescentando: “Isto está longe de terminar”.
A organização procura, entretanto, avaliar a eficácia das ferramentas disponíveis para combater o surto, incluindo a vacinação de profissionais de saúde e de outras pessoas que trabalham na linha da frente.
Mais de 3000 profissionais vacinados
Mais de 3000 profissionais de saúde e trabalhadores da linha da frente já tinham sido vacinados com a Ervebo, da farmacêutica Merck, segundo Meg Doherty, directora da OMS para a ciência, investigação, evidência e qualidade em saúde.
A Ervebo está licenciada para a prevenção da doença causada pelo vírus Ébola da espécie Zaire ebolavirus, mas a sua eficácia contra o Bundibugyo ebolavirus, responsável pelo actual surto, ainda não é conhecida.
Segundo Doherty, deverá começar em breve um estudo observacional envolvendo trabalhadores da linha da frente, com o objectivo de avaliar a eficácia da vacina.
Um outro ensaio clínico, liderado pelo Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDC, em colaboração com outras instituições, deverá arrancar nas próximas semanas.
A Ervebo estará entre as primeiras vacinas a ser avaliada quanto à eficácia nesse ensaio. Posteriormente, serão analisados outros candidatos desenvolvidos especificamente contra o Bundibugyo ebolavirus, incluindo uma vacina da empresa de biotecnologia Moderna e outra desenvolvida pela Universidade de Oxford.


























































