A Huawei apresentou, na China, um modelo de data center desenvolvido para responder às crescentes exigências de processamento, energia e refrigeração dos sistemas de Inteligência Artificial (IA). Designado “data center 3D”, o projecto organiza verticalmente os principais componentes da infra-estrutura, numa arquitectura de quatro camadas.
A estrutura foi apresentada em Wuhu, na província chinesa de Anhui, durante a Conferência de Desenvolvimento da Indústria AIDC 2026. Em vez de distribuir horizontalmente os diferentes sistemas, como acontece nos data centers tradicionais, o modelo da Huawei sobrepõe as áreas de refrigeração, equipamentos de tecnologia da informação (TI), fornecimento de energia e energia de backup.
Segundo a empresa, a nova arquitectura responde ao aumento da potência exigida pelos servidores utilizados em aplicações de Inteligência Artificial. Ren Shulu, vice-presidente sénior e supervisor executivo da Huawei, afirmou que a potência dos racks passou de alguns quilowatts ou dezenas de quilowatts, na era da refrigeração a ar, para entre 100 e 200 quilowatts nos sistemas actuais.
O aumento da capacidade de processamento tem colocado maior pressão sobre o espaço físico, o fornecimento de energia e a dissipação de calor. Para responder a estes desafios, a Huawei separou as áreas destinadas à energia das zonas de computação, numa abordagem inspirada na organização utilizada nas fábricas de chips.
O data center 3D divide ainda a infra-estrutura em diferentes zonas, permitindo isolar eventuais falhas e reduzir o risco de propagação a outras áreas. A solução inclui também refrigeração distribuída por zonas e percursos mais curtos entre os sistemas de alimentação, refrigeração e equipamentos de TI.
Na construção, a Huawei recorre a componentes padronizados e pré-fabricados, produzidos em fábrica e posteriormente instalados no local. De acordo com a empresa, este método pode reduzir para metade o tempo necessário para a instalação da componente electromecânica do data center.
A Huawei Cloud já implementou a arquitectura em três grandes hubs de computação em nuvem na China: Gui’an, na província de Guizhou; Helingeer, na Mongólia Interior; e Wuhu, em Anhui.
Durante o evento, a empresa apresentou também o livro Data Center 3D e disponibilizou uma biblioteca de projectos com informações técnicas sobre a arquitectura, a estrutura, o abastecimento de água e esgoto, a climatização, a energia e os sistemas de baixa tensão.
Fonte: Revista Exame


























































