O grupo sul-africano Singita está a desenvolver os seus projectos turísticos no Arquipélago de Bazaruto, na província de Inhambane, onde prevê investir cerca de 102 milhões de dólares na implantação de infra-estruturas de turismo de luxo e em iniciativas associadas à conservação marinha.
De acordo com o jornal O País, o avanço dos projectos foi abordado num encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o fundador e presidente da Singita, Luke Bailes, realizado em Maputo, no qual o empresário apresentou o ponto de situação dos trabalhos previstos para a Ilha de Santa Carolina, bem como das iniciativas em preparação em Inhassoro e Vilankulo.
“Acabei de ter uma reunião com o Presidente e actualizei-o sobre a Singita e o trabalho que estamos a fazer no Arquipélago de Bazaruto e todo o trabalho adicional que estamos a fazer em Inhassoro e Vilankulo, quem são os nossos arquitectos e quão longe chegámos até agora”, explicou Luke Bailes.
O investimento previsto para o Arquipélago de Bazaruto está avaliado em 102 milhões de dólares. Deste montante, cerca de 60 milhões de dólares deverão ser canalizados para o desenvolvimento de um lodge de luxo com capacidade para 60 camas na Ilha de Santa Carolina, também conhecida como Paradise Island. Outros 42 milhões de dólares estão associados a uma segunda componente de desenvolvimento no arquipélago.
O projecto está enquadrado numa parceria público-privada com o Instituto Nacional do Turismo (INATUR), ao abrigo de uma concessão de 25 anos. Documentos anteriormente divulgados sobre o empreendimento apontam para financiamento através de capitais próprios do investidor e para a criação de cerca de 240 empregos directos e 260 indirectos.
Além das unidades hoteleiras, o plano contempla iniciativas ligadas à conservação dos ecossistemas marinhos, incluindo programas de recuperação de recifes de coral e mangais, bem como a criação de um Centro de Investigação Marinha em Vilankulo, destinado a apoiar actividades de investigação, monitorização e educação ambiental.
A Ilha de Santa Carolina deverá constituir a primeira etapa da expansão da Singita em Moçambique. Segundo Luke Bailes, a empresa espera abrir o primeiro lodge no País dentro de quatro anos. “Estamos todos ansiosos por finalmente abrir, mas há muito trabalho a ser feito entre agora e essa altura”, afirmou.
Depois de Santa Carolina, a estratégia da empresa prevê uma segunda unidade turística na ponta norte da Ilha de Bazaruto, alargando a presença da marca num dos principais destinos turísticos de Moçambique.
A entrada da Singita representa igualmente uma mudança no perfil de investimentos da empresa. Até agora, a marca concentrou grande parte da sua actividade em reservas terrestres e turismo de safari. Bazaruto deverá marcar a sua primeira grande incursão na conservação marinha e no turismo costeiro.
Fundada por Luke Bailes, a Singita iniciou a actividade hoteleira em 1993, com a abertura do Ebony Lodge, na reserva de Sabi Sand, na África do Sul. Actualmente, a marca administra 19 lodges, acampamentos e villas de uso exclusivo na África do Sul, Tanzânia, Zimbabué e Ruanda. A empresa estima que as suas operações e parcerias de conservação abrangem cerca de um milhão de acres de áreas naturais africanas.
A expansão continua em 2026. Em Dezembro, a empresa prevê abrir o Singita Elela, no Delta do Okavango, Botsuana, entrando assim num quinto mercado africano. A unidade ficará numa concessão de cerca de 170 mil hectares e contará com apenas oito acampamentos, mantendo o modelo de baixa densidade e turismo de alto rendimento adoptado pela empresa.
Embora a Singita não divulgue de forma sistemática o montante investido na construção de cada uma das suas propriedades, alguns projectos dão uma indicação da dimensão financeira das suas operações. No Ruanda, o desenvolvimento do Singita Kwitonda Lodge, junto ao Parque Nacional dos Vulcões, envolveu cerca de 25 milhões de dólares, num investimento financiado pelo empresário norte-americano Paul Tudor Jones. Desse montante, mais de sete milhões de dólares terão sido gastos localmente na aquisição de materiais e outros fornecimentos, enquanto a implantação do empreendimento gerou mais de 600 postos de trabalho durante a construção.
Na África do Sul, registos da empresa de gestão de custos MultiQS relativos a intervenções realizadas em propriedades da Singita apontam, entre outros projectos, para cerca de 25 milhões de rands em alterações no Ebony Lodge, 21 milhões de rands no Lebombo Lodge e 12 milhões de rands, respectivamente, em intervenções no Boulders Lodge e no Castleton. Estes valores dizem respeito a obras específicas e não ao investimento total acumulado nas propriedades.
Com os 102 milhões de dólares previstos para Bazaruto, Moçambique passa, assim, a integrar a estratégia de expansão de uma das marcas africanas de turismo de luxo mais consolidadas, num projecto que combina hotelaria de alto padrão, conservação marinha e desenvolvimento de actividades económicas ligadas ao turismo na província de Inhambane.



























































