A Telecomunicações de Moçambique (Tmcel) terminou 2025 com 1,79 milhão de clientes móveis e uma rede nacional composta por 1303 antenas, numa altura em que o Governo prepara a entrada de um parceiro estratégico através da alienação parcial das acções detidas pelo Estado.
Segundo documentação disponibilizada a potenciais investidores, a base de clientes móveis activos da operadora cresceu 62,1% em 2025, atingindo 1791905 utilizadores. Em sentido contrário, o número de linhas da rede fixa caiu 20%, para 15 537.
A rede móvel da Tmcel é suportada por 1303 antenas distribuídas pelo território nacional, incluindo 1193 estações em tecnologia 2G, 1303 em 3G e 724 em 4G/LTE. A operadora refere que a rede foi concebida para dar prioridade aos serviços de dados através da tecnologia 4G, suportando aplicações de vídeo, serviços de Internet e outras soluções baseadas em IP.
Os serviços tradicionais de voz continuam assegurados pelas tecnologias 2G e 3G, permitindo à empresa manter os clientes que ainda utilizam estas redes enquanto prepara uma migração gradual para tecnologias mais avançadas, incluindo o 5G.
A província de Maputo concentra o maior número de estações 4G, com 189 antenas, seguida pela cidade de Maputo, com 152. No total, a região Sul dispõe de 447 estações 4G, contra 157 na região Centro e 120 no norte do País. A empresa concluiu igualmente a modernização ou activação de 1298 antenas no âmbito do programa de expansão e modernização da rede desenvolvido nos últimos anos.
Além da rede móvel, a Tmcel dispõe de cerca de 6500 quilómetros de fibra óptica de backbone e aproximadamente 4500 quilómetros de fibra de acesso. Esta rede interliga todas as capitais provinciais, principais cidades, corredores logísticos, zonas económicas especiais e importantes áreas industriais e turísticas do País, garantindo também ligações com países do hinterland.
Segundo a documentação apresentada aos investidores, a operadora afirma que a sua cobertura abrange todo o território nacional, incluindo províncias, distritos e postos administrativos. A empresa presta serviços de telefonia fixa e móvel, acesso à Internet, banda larga, redes privadas e capacidade de transmissão para clientes nacionais e internacionais. Em 2026, conta com 1225 trabalhadores.
No mercado nacional de telecomunicações, a Tmcel representava cerca de 8% dos subscritores activos em 2024. A Vodacom liderava o mercado com uma quota de 50%, correspondente a cerca de 8,59 milhões de utilizadores, enquanto a Movitel detinha aproximadamente 42%, com cerca de 7,16 milhões de clientes.
Os dados indicam ainda que 84% das receitas do sector das telecomunicações em Moçambique são geradas pelas operadoras móveis. O Governo determinou que a equipa responsável pelo processo de privatização parcial apresente, até Janeiro de 2027, uma proposta com a identificação do parceiro estratégico seleccionado e os termos da operação.
Entre os potenciais investidores já identificados figuram a Axian Telecom, grupo pan-africano com sede nas Maurícias, um consórcio constituído pela Optimum Systems W.L.L. e Meridian Ventures Investment FZCO, além da Aikun Solutions DMCC, sediada no Dubai.
Actualmente, o Estado detém directamente 66% do capital social da Tmcel, enquanto o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) controla outros 26%.
A operação deverá permitir a entrada de capital privado e de um parceiro estratégico com capacidade financeira, tecnológica e operacional para reforçar a competitividade da operadora num mercado dominado pela Vodacom e pela Movitel.



























































