A privatização parcial da empresa pública de telecomunicações Moçambique Telecom (Tmcel) poderá contar com a entrada de um parceiro estratégico entre os potenciais investidores identificados pelo Governo, destacando-se a AXIAN Telecom, o consórcio constituído pela Optimum Systems W.L.L. e pela Meridian Ventures Investment FZCO e a Aikun Solutions DMCC. As três entidades apresentam perfis e níveis de experiência distintos no sector das telecomunicações e na área de investimentos.
Segundo informações a que o DE teve acesso, o Governo autorizou, através da Resolução n.º 67/2026, de 21 de Agosto, a realização do processo de selecção de um parceiro estratégico para a Tmcel, que poderá incluir a alienação parcial das acções actualmente detidas pelo Estado.
A operação pretende contribuir para a estabilização, recuperação, modernização e sustentabilidade financeira e operacional da empresa, num contexto em que a Tmcel procura reforçar a sua posição no mercado nacional de telecomunicações.
Para conduzir e coordenar o processo de selecção do parceiro estratégico e as respectivas negociações, o Governo constituiu uma Equipa Técnica Multissectorial, em conformidade com a legislação aplicável.
AXIAN destaca-se pela experiência no sector
Entre os potenciais interessados identificados, a AXIAN Telecom é a entidade com presença operacional mais expressiva no sector das telecomunicações em África. O grupo é controlado pelo empresário franco-malgaxe Hassanein Hiridjee e tem sede societária nas Maurícias.
A AXIAN Telecom desenvolve actividades em 11 mercados de África e do oceano Índico, onde opera redes móveis e fixas, infra-estruturas de fibra óptica, torres de telecomunicações, centros de dados e serviços financeiros digitais, através de marcas como Yas, Mixx e TowerCo of Africa.
Em 2025, o grupo declarou receitas de aproximadamente 1,69 mil milhões de dólares, um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações ajustado de 728 milhões de dólares, 43,8 milhões de clientes móveis e mais de 5300 trabalhadores, números que evidenciam a dimensão da empresa face ao mercado em que a Tmcel opera.
A AXIAN Telecom possui ainda experiência na aquisição e transformação de operadores de telecomunicações em países como Madagáscar, Tanzânia, Togo, Senegal e Comores, incluindo participações em antigos operadores da Tigo e envolvimento em processos de privatização e reestruturação no sector.
Consórcio e Aikun apresentam perfis distintos
A Optimum Systems W.L.L., empresa privada do Qatar criada em 2014, actua nas áreas de tecnologias de informação, integração de sistemas e soluções de conectividade empresarial. Contudo, a informação pública disponível não demonstra experiência da empresa na operação de uma rede móvel nacional ou na recuperação e gestão de uma operadora com a dimensão e os desafios da Tmcel.
A Optimum Systems W.L.L. surge associada à Meridian Ventures Investment FZCO, uma plataforma de investimento e consultoria sediada no Dubai. Sobre esta entidade existe informação pública limitada, não sendo facilmente identificáveis os seus accionistas, administradores, activos sob gestão, capacidade financeira ou investimentos anteriores no sector das telecomunicações.
Neste contexto, a Optimum Systems W.L.L. poderá contribuir sobretudo na componente tecnológica, enquanto a Meridian Ventures Investment FZCO poderá assumir um papel ligado ao investimento ou à estruturação financeira da operação. No entanto, nenhuma das duas entidades apresenta publicamente um historial operacional no sector das telecomunicações comparável ao da AXIAN Telecom.
A Aikun Solutions DMCC, por sua vez, é uma sociedade registada na zona franca DMCC, no Dubai, que se apresenta como uma empresa de consultoria especializada em estratégia, finanças empresariais, fusões e aquisições, reestruturação de dívida, avaliação de empresas e transformação organizacional.

A empresa afirma actuar em sectores como o do petróleo e gás, mineração, energias renováveis, imobiliário, agro-negócio, bens de consumo, média e telecomunicações. Contudo, a informação institucional disponível não permite identificar de forma clara os beneficiários efectivos, a equipa de gestão, as contas da empresa, o volume de activos sob gestão ou operações relevantes anteriormente realizadas no sector das telecomunicações.
Pelo perfil apresentado publicamente, a Aikun Solutions DMCC aproxima-se mais de uma consultora ou estruturadora de investimentos do que de uma operadora de telecomunicações com experiência directa na gestão de uma rede nacional. A AXIAN Telecom é, entre os potenciais interessados identificados, a entidade cuja experiência operacional e presença no sector africano das telecomunicações estão publicamente documentadas.
As três entidades poderão participar no processo em diferentes funções, nomeadamente como investidores financeiros, fornecedores de tecnologia, consultores ou estruturadores da operação. A eventual capacidade para assumir a gestão principal da Tmcel dependerá das propostas apresentadas, incluindo as garantias financeiras, o plano operacional e tecnológico e a eventual participação de outros parceiros estratégicos.
Processo de selecção do parceiro estratégico
O processo está aberto a entidades nacionais e estrangeiras interessadas em participar na recuperação e modernização da Tmcel, que deverão apresentar uma manifestação de interesse em língua portuguesa. A parceria deverá permitir mobilizar capital, tecnologia, experiência de gestão e competências técnicas e comerciais para melhorar o desempenho e a sustentabilidade da operadora.
As manifestações de interesse deverão ser apresentadas no prazo de 15 dias a contar da publicação do anúncio, por via electrónica ou mediante entrega física no Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), em Maputo. A apresentação da manifestação não garante a selecção da entidade nem a celebração de qualquer contrato, uma vez que o processo estará sujeito às avaliações, negociações e aprovações previstas na legislação.
Actualmente, o Estado detém directamente 66% do capital social da Tmcel, enquanto o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) controla outros 26%.


























































