O Banco Nacional de Angola (BNA) reduziu em um ponto percentual as principais taxas de juro de referência para o mercado e o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional, numa decisão justificada pela trajectória descendente da inflação.
De acordo com uma publicação da Lusa, a decisão foi tomada pelo Comité de Política Monetária do BNA, que se reuniu na segunda-feira e nesta terça-feira (15) para avaliar a evolução recente da economia nacional e internacional, as perspectivas macroeconómicas e os riscos para a estabilidade de preços.
O governador do BNA, Manuel Tiago Dias, anunciou a redução da taxa de juro de referência de 15,75% para 14,75%. A taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez passou de 16,75% para 15,75%, enquanto a facilidade permanente de absorção de liquidez baixou de 14,75% para 13,75%.
Em paralelo, o Comité decidiu reduzir o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 17,5% para 16,5%.
“A redução das taxas de política monetária e do coeficiente de reservas obrigatórias em um ponto percentual fundamenta-se nos progressos observados na trajectória da inflação e nas perspectivas da sua evolução para o curto e médio prazo”, justificou o governador.
A inflação mensal fixou-se em 0,59% em Agosto de 2026, abaixo dos 0,75% registados em Julho. Em termos homólogos, a taxa situou-se em 8,78%, mantendo a tendência de desaceleração.
Segundo o BNA, a desaceleração foi observada em todo o território nacional. As classes de bens e serviços registaram variações de um dígito, com excepção da educação, cuja variação atingiu 19,33%. “Perante este resultado, o Comité de Política Monetária manifesta preocupação com a frequência e magnitude dos ajustamentos dos preços dos serviços de educação”, apontou a instituição.
Apesar da redução das taxas, o Comité mantém a projecção de uma inflação de 8,6% no final de 2026, com um intervalo de variação de um ponto percentual.
Economia cresce 8,74%
A economia angolana registou um crescimento homólogo de 8,74% no segundo trimestre, impulsionado pelo desempenho do sector não petrolífero, que cresceu 9,24%, segundo dados apresentados pelo governador do BNA.
A instituição considera que o desempenho do sector não petrolífero tem ajudado a acomodar as incertezas do cenário internacional, marcadas por “maior volatilidade nos mercados das commodities” e pelo consequente aumento do preço do barril de petróleo Brent.
No mercado monetário, a base monetária em moeda nacional, que inclui a moeda em circulação e as reservas bancárias, cresceu 6,8% em Agosto, depois de ter registado uma contracção de 2,5% em Julho.
O crédito à economia em moeda nacional atingiu cerca de 6,9 mil milhões de euros. O valor representa uma contracção acumulada de 1,2%, mas, em termos homólogos, corresponde a uma expansão de 11,72%, ou 719 milhões de euros.
Exportações sustentam contas externas
No sector externo, o saldo acumulado da conta de bens manteve-se superavitário até meados de Agosto, com um crescimento homólogo explicado pelo aumento do valor das exportações, superior ao crescimento das importações.
As receitas do petróleo bruto compensaram a perda de peso dos diamantes nas receitas totais das exportações. Do lado das importações, os combustíveis continuam a exercer uma influência significativa.
As importações de combustíveis atingiram 2,56 mil milhões de euros, representando um aumento de 114,5% face ao período homólogo de 2025.
As reservas internacionais fixaram-se em 13,26 mil milhões de euros em Agosto, garantindo uma cobertura de 6,59 meses de importações de bens e serviços.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária do BNA está marcada para os dias 16 e 17 de Novembro.


























































