A produção de energia eléctrica em Moçambique cresceu 8,8% no primeiro semestre de 2026, atingindo 8,06 milhões de megawatts-hora (MWh), numa recuperação face à forte quebra registada no ano passado, segundo dados do Governo.
De acordo com a Lusa, entre Janeiro e Junho, o País produziu 8 061 261 MWh de electricidade, contra cerca de 7,41 milhões de MWh no mesmo período de 2025. O volume corresponde a 49,9% da meta anual, fixada em 16,17 milhões de MWh.
A recuperação foi impulsionada sobretudo pela produção hídrica, que aumentou 12,2%, para 6,55 milhões de MWh, beneficiando da melhoria das condições hidrológicas e da maior disponibilidade das infra-estruturas de geração. A energia produzida pelas centrais hidroeléctricas representou 81,3% de toda a electricidade gerada no País durante o primeiro semestre.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) manteve-se como a principal fonte de geração, com uma produção de 6,37 milhões de MWh entre Janeiro e Junho, equivalente a cerca de 80% de toda a electricidade produzida em Moçambique.
Segundo o Governo, a recuperação está associada à melhoria das afluências na bacia do Zambeze, depois de 2025 ter sido marcado por condições hidrológicas particularmente adversas.
Em Julho, a HCB anunciou que a capacidade útil de armazenamento da albufeira tinha recuperado para 56%, depois de ter atingido mínimos próximos de 20% no ano passado. A melhoria permitiu aliviar as restrições operacionais que condicionavam a produção.
Em 2025, a produção total de electricidade em Moçambique caiu 25,4%, para 14,4 milhões de MWh, enquanto a geração hídrica recuou 30,7%. A quebra foi atribuída sobretudo aos efeitos prolongados do fenómeno El Niño e à escassez de precipitação na bacia do Zambeze. O ano hidrológico 2024/25 registou o pior nível de precipitação dos últimos 43 anos, afectando também barragens como Corumana, Mavuzi e Chicamba.
Em sentido contrário à recuperação hídrica, a produção térmica caiu 4% no primeiro semestre de 2026, para cerca de 1,45 milhões de MWh, representando 18% da produção nacional. A energia solar continuou a representar menos de 1% da produção.
As exportações de electricidade cresceram 5,1% no período, totalizando 1 768 475 MWh, mantendo-se a HCB como a principal exportadora nacional.
Apesar da recuperação, o Governo aponta a persistência de desafios estruturais no sector, incluindo limitações na disponibilidade de algumas centrais térmicas, constrangimentos no transporte de gás natural e o aumento da concorrência no mercado regional de energia.


























































