A primeira equipa de refugiados juvenis está a preparar-se para participar nos Jogos Olímpicos da Juventude, que terão lugar em Dacar, Senegal, de 31 de Outubro a 13 de Novembro.
Os seis atletas, provenientes de diferentes países africanos, encontram-se actualmente em treinos de preparação no Oeste do Quénia. A equipa vai competir nas modalidades de atletismo, judo e taekwondo, numa participação considerada histórica pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
A iniciativa pretende destacar o potencial dos jovens refugiados quando têm acesso a oportunidades, bem como o papel do desporto na transformação da vida de pessoas forçadas a abandonar as suas casas.
Os jovens são apoiados pela Fundação Olímpica para Refugiados e pelos Comités Olímpicos Nacionais do Quénia e do Uganda, países onde residem actualmente.
Para o director regional do ACNUR para a África Ocidental e Central, Abdouraouf Gnon-Konde, a participação representa uma importante fonte de inspiração para milhões de crianças refugiadas e deslocadas.
A missão é liderada pelo embaixador de Boa Vontade do ACNUR, Yiech Pur Biel, que integrou a primeira Equipa Olímpica de Refugiados nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Biel fugiu da guerra no Sudão do Sul em 2005 e passou grande parte da sua vida no campo de refugiados de Kakuma, no Quénia. Desde então, tem representado os refugiados em competições desportivas internacionais, tendo participado também nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.
“É uma oportunidade extraordinária para participarem não apenas como refugiados, mas como concorrentes activos, capazes de prosperar, ter sucesso e impactar a vida de outras pessoas”, afirmou Biel durante a preparação da equipa no Oeste do Quénia.
Primeiros Jogos Olímpicos da Juventude em África
Os Jogos Olímpicos da Juventude de Dacar deverão reunir cerca de 2 00 atletas em diferentes modalidades, sendo a primeira edição da competição realizada em África.
O ACNUR considera o evento uma oportunidade para reforçar a esperança e o sentimento de pertença entre jovens refugiados, enquanto a Fundação Olímpica para Refugiados apoia atletas através de bolsas para treino e competição e de parcerias com Comités Olímpicos Nacionais.
A dimensão do desafio é evidenciada pelos números mais recentes do ACNUR. No final de 2025, mais de 117 milhões de pessoas encontravam-se deslocadas à força em todo o mundo, das quais cerca de 39 milhões estavam na África Subsaariana.
Cerca de um terço desse total corresponde a refugiados e requerentes de asilo, metade dos quais são crianças.


























































