Os analistas da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) consideram positiva a evolução dos ratings soberanos no continente no primeiro semestre de 2026, período em que as revisões em alta superaram as descidas, noticiou, nesta segunda-feira, 14 de Setembro, a Lusa.
“As revisões em alta superaram as revisões em baixa, enquanto as revisões positivas das perspectivas excederam as revisões negativas”, escrevem os economistas, sublinhando que esta evolução sugere que os progressos nas reformas e a melhoria da gestão macroeconómica contribuíram para reforçar a dinâmica do crédito em várias economias africanas.
Ainda assim, as vulnerabilidades orçamentais, as necessidades de financiamento e os riscos externos continuam a pressionar algumas economias.
De acordo com a análise semestral dos ratings em África, realizada pelo Mecanismo Africano de Revisão por Pares, as notações de crédito soberano no primeiro semestre de 2026 reflectiram fundamentos internos mais sólidos, num contexto internacional marcado por maior incerteza.
“O crescimento, as reformas fiscais e os esforços de gestão da dívida” contribuíram para melhorias em alguns países. Noutros, porém, as tensões geopolíticas, a volatilidade dos preços das matérias-primas, os elevados custos do serviço da dívida e as condições de financiamento mais restritivas continuaram a pesar sobre as avaliações.
Cinco países registam melhorias
Cabo Verde, Gana, Quénia, Nigéria e África do Sul registaram uma subida da notação de crédito soberano em pelo menos uma das três principais agências de notação financeira — Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch —, reflectindo uma melhoria na avaliação da sua capacidade de cumprir as obrigações perante os credores.
Em sentido contrário, Botsuana e Moçambique registaram as únicas descidas das notações de crédito soberano no período.
Gabão, Mali e Senegal sofreram, por sua vez, revisões em baixa das perspectivas das respectivas notações, associadas a pressões fiscais, riscos de financiamento e preocupações com a sustentabilidade da dívida.
“De um modo geral, as acções de rating registadas no primeiro semestre de 2026 apontam para uma mudança gradual nos factores que determinam a solvabilidade soberana em África”, afirmam os economistas.
Segundo a análise, no final de 2025, a evolução das notações esteve sobretudo relacionada com a questão da dívida. No primeiro semestre de 2026, o foco passou para a credibilidade das políticas económicas e para a capacidade dos Governos de manter as reformas ao longo do tempo.
“As agências de notação financeira recompensaram cada vez mais os países que mantiveram a consolidação orçamental, melhoraram a gestão da dívida, reforçaram a resiliência externa e demonstraram uma implementação consistente das políticas”, lê-se no relatório.
Em contrapartida, os países com fragilidades orçamentais persistentes, pressões de refinanciamento, desafios de governação ou elevada dependência de uma base restrita de matérias-primas continuaram sujeitos a pressões negativas sobre as notações.
Para a UNECA, manter o ritmo das reformas, reforçar a credibilidade institucional e aumentar a resiliência das economias serão factores fundamentais para a evolução futura das avaliações de crédito no continente.
África recupera acesso aos mercados
Nos primeiros seis meses de 2026, nove países africanos, incluindo Angola, recorreram aos mercados internacionais para captar mais de 14 mil milhões de dólares.
Para a UNECA, este movimento reflecte uma melhoria gradual do acesso aos mercados e uma forte procura dos investidores por alguns emissores soberanos africanos, acompanhada por operações de refinanciamento e gestão de passivos.
Os economistas consideram esta evolução relevante por demonstrar uma recuperação gradual do acesso dos países africanos aos mercados internacionais e um aumento do apetite dos investidores por emissores considerados credíveis.
No entanto, o regresso aos mercados também evidencia as “substanciais necessidades de refinanciamento” que continuam a pesar sobre várias economias do continente.


























































