Aliko Dangote, o homem mais rico de África, poderá aumentar a sua fortuna até 22,9 mil milhões de dólares com a entrada em bolsa da sua refinaria de petróleo, naquela que será a maior oferta pública inicial (IPO) de sempre no continente.
Segundo cálculos da Bloomberg, a operação poderá elevar o património de Dangote dos actuais 35,3 mil milhões para 58,2 mil milhões de dólares, colocando-o entre os homens mais ricos do mundo.
A oferta da Dangote Petroleum Refinery and Petrochemicals, que abriu a 14 de Setembro e termina a 13 de Outubro, deverá captar cerca de 1,6 mil milhões de dólares e avaliar a empresa em quase 50 mil milhões de dólares.
“Os nigerianos e os africanos devem ser ousados e liderar a mudança para desenvolver as nossas economias. Só então os outros nos levarão muito a sério”, afirmou Dangote numa cerimónia de assinatura do IPO, em Lagos (Nigéria).
Construída nos arredores da capital nigeriana, após um investimento de cerca de 19 mil milhões de dólares, a refinaria tem capacidade para processar 700 mil barris de petróleo por dia. O empresário pretende duplicar essa capacidade, com mais 14,3 mil milhões de dólares em investimentos previstos.
A unidade atingiu a capacidade máxima este ano, contribuindo para que a Nigéria se tornasse, pela primeira vez, numa exportadora líquida de combustíveis refinados.
Para o grupo, a operação representa o culminar de mais de uma década de investimentos e está no centro da estratégia para aumentar as receitas cinco vezes, para 100 mil milhões de dólares, até ao final da década.
A IPO foi apresentado por Dangote como “uma IPO para o povo”, com uma subscrição mínima de dez acções e possibilidade de participação de investidores particulares e institucionais.
O director-executivo do RMB Nigeria, Chidi Iwuchukwu, considera que uma operação desta dimensão representa um voto de confiança na Nigéria e no continente. “Grandes entradas em bolsa aprofundam a liquidez, alargam a base de investidores e demonstram que os mercados de capitais africanos conseguem apoiar empresas de dimensão mundial”, afirmou.
Expansão para a África Oriental
Dangote pretende ainda replicar o modelo da refinaria de Lagos no Quénia, através de um projecto de 700 mil barris por dia em Lamu, avaliado em 16 mil milhões de dólares.
O projecto visa reduzir a dependência regional das importações de combustíveis e ampliar a presença do grupo na África Oriental. O empresário propôs aos Governos da região uma participação de 30% no projecto.
“A nossa visão para 2030 e o lema do Dangote Group é acelerar a industrialização de África”, disse Dangote. “À medida que continuamos a investir na Nigéria como potência de África, devemos também levar esta visão a outras partes do continente.”


























































