O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Roberto Albino, defendeu o aumento da produção nacional de alimentos como uma das principais condições para reforçar a segurança alimentar e reduzir a dependência de importações, num contexto internacional marcado por conflitos e instabilidade. O governante falava na abertura da 1.ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que decorre de 14 a 15 de Setembro, em Maputo, sob o lema “Segurança Alimentar e Nutricional: Responsabilidade Colectiva para o Desenvolvimento de Moçambique”.
Segundo Roberto Albino, a transformação do sector agrário deve estar no centro das políticas públicas, através do aumento da produção e da produtividade das culturas prioritárias, bem como da pecuária, pesca e aquacultura. “Não podemos depender somente das importações para garantir a nossa segurança alimentar”, afirmou, defendendo que a produção nacional deve também gerar emprego e rendimento e contribuir para melhorar a balança comercial e de pagamentos.
Para concretizar este objectivo, o Governo tem apostado na transformação agrária, através da introdução de variedades melhoradas, da adopção de práticas modernas de produção e de uma mecanização adequada às necessidades dos pequenos produtores. A estratégia inclui ainda uma gestão mais eficiente da água e dos solos e o processamento local dos produtos, de forma a acrescentar valor à produção nacional.
A concretização desta estratégia depende, contudo, da disponibilidade de água, sobretudo num País onde cerca de 70% da actividade agrícola é familiar e predominantemente de sequeiro. Neste contexto, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, defendeu o reforço da capacidade de armazenamento e gestão da água como condição para aumentar a produção agrícola e reduzir os efeitos das mudanças climáticas.
Fernando Rafael destacou o potencial hídrico de Moçambique, que possui cerca de 104 bacias hidrográficas, 35 das quais consideradas estratégicas. O ministro apontou a construção de barragens e sistemas de irrigação como essenciais para assegurar o abastecimento de água à agricultura. “Sem água não podemos falar de segurança alimentar”, afirmou, defendendo infra-estruturas capazes de garantir água para a produção agrícola, o consumo humano e o abeberamento de animais.
Entre os projectos nesta área, o responsável citou a construção e reabilitação de barragens, sistemas de irrigação e diques de protecção contra cheias. Deu como exemplo a barragem de Massingir, com capacidade para irrigar cerca de 33 mil hectares, além de outras iniciativas destinadas a aumentar a disponibilidade de água e a reforçar a capacidade das comunidades para enfrentar eventos climáticos extremos.
“Temos de ser porta-vozes das soluções e não da desgraça”
Roberto Albino
Por sua vez, o ministro da Saúde, Ussene Isse, defendeu que a segurança alimentar não deve limitar-se à disponibilidade de alimentos, devendo garantir também uma alimentação adequada, sobretudo para crianças e mulheres em idade fértil. “A segurança alimentar e nutricional é uma intervenção fundamental para a prevenção de doenças, para o fortalecimento do sistema imunitário e para o desenvolvimento físico e cognitivo das nossas crianças”, afirmou.
Segundo o governante, a melhoria da nutrição deve começar durante a gravidez e prolongar-se pelas diferentes fases da vida, através de medidas como o planeamento familiar, a suplementação de micro nutrientes, a fortificação de alimentos e o acompanhamento nutricional nas unidades sanitárias. O ministro defendeu igualmente o reforço das intervenções comunitárias, sobretudo nas zonas rurais, para aproximar os serviços de saúde e nutrição das populações.
As intervenções de Roberto Albino, Fernando Rafael e Ussene Isse convergiram na necessidade de uma resposta integrada, que articule a produção de alimentos, a disponibilidade de água e os serviços de saúde.
Texto: Florença Nhabinde



























































