O Banco Mundial está a apoiar Moçambique no reforço do controlo da distribuição de medicamentos e material médico-cirúrgico, através de um sistema de rastreio destinado a travar desvios e melhorar o abastecimento público. Os primeiros produtos abrangidos pelo mecanismo foram recebidos esta segunda-feira (14), em Maputo.
O ministro da Saúde, Ussene Isse, explicou que os produtos passam a ser identificados por um selo e acompanhados ao longo da cadeia de abastecimento. O sistema permite saber por onde passaram, para onde foram enviados e onde se encontram, reforçando o controlo sobre a sua utilização nas unidades sanitárias.
Ussene Isse classificou o mecanismo como “uma das maiores reformas” do sistema de saúde de Moçambique, numa referência ao sistema nacional de rastreabilidade anunciado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, em 2025. O acompanhamento é feito através de códigos atribuídos às caixas e paletes, que permitem consultar o percurso dos produtos, incluindo as entradas e saídas dos armazéns e o destino das remessas.
Desta forma, os responsáveis podem verificar o histórico e a localização registada de cada produto, desde a sua entrada no sistema até à unidade sanitária para onde foi encaminhado.
O ministro apelou aos gestores das unidades sanitárias, chefes de enfermagem e responsáveis clínicos para reforçarem a vigilância sobre os produtos recebidos. “Temos de ser muito atentos com a vigilância, com a supervisão, com a fiscalização e com a inspecção”, afirmou Ussene Isse, defendendo que o controlo deve manter-se durante a utilização dos produtos.
Na mesma linha, o governante acrescentou que “cada medicamento deve ser contabilizado, cada luva usada também”. A medida surge num contexto de preocupação do Governo com o furto, desvio, desperdício e outras irregularidades na cadeia de abastecimento, depois de 54 profissionais de saúde terem sido expulsos no ano passado por más práticas.
Em Maio do ano passado, o Governo já tinha anunciado a implementação de um sistema electrónico de rastreamento de medicamentos no Serviço Nacional de Saúde, com o objectivo de combater o roubo e desvio de fármacos nas unidades públicas.
O director da divisão do Banco Mundial para Moçambique, Madagáscar, Maurícias, Camarões e Seicheles, Fily Sissoko, defendeu que “disponibilidade sem responsabilização não é suficiente”. Segundo o responsável, o rastreio deverá ajudar a detectar rupturas de stock, reduzir perdas e melhorar a distribuição.
O apoio inclui um investimento de 35 milhões de dólares por parte de parceiros internacionais para a aquisição de medicamentos e material médico-cirúrgico.
Fonte: Lusa



























































