O Governo prevê reduzir a prevalência da desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos dos actuais cerca de 37% para 30% até 2029, como parte dos esforços para reforçar a segurança alimentar e nutricional no País, anunciou esta segunda-feira (14) o Presidente da República, Daniel Chapo, na abertura da 1.ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que decorre até esta terça-feira, em Maputo.
Daniel Chapo considerou a meta um compromisso nacional com as crianças, as mães e os jovens, defendendo que o combate à desnutrição deve ultrapassar uma abordagem centrada exclusivamente na produção de alimentos.
“Esta meta constitui um compromisso nacional com as nossas crianças, as mães, os nossos jovens e com o futuro de Moçambique”, afirmou o Presidente.
Segundo o chefe do Estado, a persistência de níveis elevados de desnutrição, mesmo em províncias com forte produção agrícola, demonstra que o problema não está necessariamente relacionado com a falta de alimentos, mas também com os hábitos alimentares.
“Esta desnutrição crónica, às vezes, não é [devido à] falta de alimentos, mas sim falta de hábitos alimentares”, explicou.
Para inverter este cenário, Daniel Chapo defendeu uma abordagem integrada, que passa pelo aumento da produção, pela redução das perdas pós-colheita, pela melhoria da conservação e do armazenamento, pela transformação e logística e pelo melhor funcionamento dos mercados. O objectivo, segundo o Presidente, é garantir que alimentos seguros, nutritivos e diversificados cheguem às famílias a preços acessíveis.
A posição do Presidente converge com a do ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, que destacou a necessidade de reforçar a coordenação entre os diferentes sectores e actores envolvidos na segurança alimentar e nutricional.
Segundo o governante, a conferência pretende “fortalecer a colaboração entre diferentes actores para, em conjunto, impulsionar o investimento e a implementação da Política e Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional, 2024-30”.
Roberto Albino defendeu que a resposta aos desafios alimentares deve envolver o Governo, a sociedade civil, o sector privado, os parceiros de desenvolvimento e especialistas, através de uma coordenação multissectorial capaz de transformar compromissos em acções concretas. A conferência deverá também contribuir para mobilizar recursos técnicos e financeiros, bem como reforçar a monitoria e a prestação de contas.
Na mesma linha, Daniel Chapo sustentou que a segurança alimentar não pode ser tratada de forma isolada pelos diferentes ministérios, uma vez que as necessidades das famílias abrangem sectores como a agricultura, saúde, educação, água, saneamento e protecção social.
“A vida das pessoas não está organizada em ministérios”, afirmou, defendendo uma maior convergência das intervenções num mesmo território e junto das famílias mais vulneráveis.
O Presidente acrescentou que o aumento da produção deve estar associado à criação de rendimento para os produtores, através de melhores condições de escoamento e comercialização. Para Chapo, uma agricultura capaz de produzir, transformar e abastecer o mercado nacional deve contribuir simultaneamente para a segurança alimentar, a criação de emprego e a independência económica.
A questão climática foi igualmente apontada como um factor que pode comprometer os avanços na segurança alimentar. Face à aproximação do fenómeno El Niño, o chefe do Estado defendeu uma actuação antecipada, com investimentos em gestão de água, irrigação, tecnologias adaptadas, sistemas de alerta precoce e armazenamento, de modo a reduzir o impacto das secas, cheias, inundações e ciclones sobre a produção e o acesso das famílias aos alimentos.
Sob o lema “Segurança Alimentar e Nutricional: Responsabilidade Colectiva para o Desenvolvimento de Moçambique”, a primeira conferência reúne representantes do Governo, sector privado, sociedade civil, academia, agricultores e parceiros de cooperação, com o objectivo de promover uma agenda nacional integrada para melhorar o acesso da população a alimentos seguros e nutritivos.
Texto: Florença Nhabinde


























































