Pelo menos nove pessoas morreram em três dias na sequência de desabamentos de terras associados à mineração ilegal no distrito de Vanduzi, província de Manica, centro do País, noticiou, nesta sexta-feira, 11 de Setembro, a Lusa.
O administrador do distrito, Armindo Canhenze, disse que seis pessoas morreram na madrugada desta quinta-feira, na sequência do desabamento de terras numa zona de mineração ilegal conhecida como “Seis Carros”. Outras duas pessoas morreram na quarta-feira e uma na terça-feira, também em zonas de exploração mineira na província.
“Ao invés de entrarem cinco [em] ‘Seis Carros’ [na zona de exploração mineira], acabam entrando três mil pessoas, duas mil pessoas. Então o número é maior, já não há disciplina, já não há regra”, disse o administrador, explicando que a elevada concentração de garimpeiros aumenta o risco de desabamento do terreno.
Segundo Armindo Canhenze, a procura de ouro levou ao aumento progressivo da área escavada, que actualmente tem cerca de 20 metros de profundidade e 25 metros de diâmetro.
A escavação começou com cerca de meio metro de profundidade, depois de ter sido descoberto ouro no local, informação que atraiu sucessivamente mais garimpeiros. O administrador explicou que, durante o período chuvoso, a entrada de centenas ou milhares de pessoas contribui para fragilizar o terreno e aumentar o risco de soterramento.
A morte das seis pessoas na quinta-feira foi confirmada pela Polícia da República de Moçambique (PRM), que indicou que as vítimas morreram na sequência de um desabamento de terras, sem registo de feridos. O porta-voz da PRM em Manica, Mouzinho Manasse, explicou que a reduzida visibilidade durante a noite dificulta a fiscalização das zonas de exploração mineira.
“Os desabamentos que têm vindo a acontecer ocorrem normalmente entre a meia-noite e as três horas da madrugada, num período em que a visibilidade é bastante reduzida”, disse Manasse.
As autoridades estão a preparar uma escavadora para tapar a cova e pretendem manter uma força policial no local para impedir novas entradas, segundo Canhenze, que acrescentou que os corpos das vítimas já foram retirados e entregues às famílias.
O administrador acrescentou que as autoridades estão a cumprir o decreto que suspende a actividade mineira e já organizaram seis cooperativas, tendo submetido a documentação para uma eventual retoma da mineração nos termos previstos pelas autoridades.
Mineração ilegal e irregularidades ambientais
A situação ocorre numa altura em que as autoridades têm manifestado preocupação com a mineração ilegal e descontrolada em Manica, devido aos riscos para as comunidades, aos impactos ambientais e à exploração irregular de recursos minerais.
Em Julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou para a presença de menores em actividades de mineração ilegal em Manica, após identificar cerca de 900 pontos de escavação onde trabalhavam várias pessoas, incluindo menores de 15 anos.
Também em Junho, a Câmara de Minas advertiu para os problemas associados à mineração descontrolada na província e defendeu uma maior coordenação entre instituições públicas e privadas, numa altura em que Manica regista a descoberta de novos minerais críticos.
Em 2025, o Governo suspendeu licenças de empresas mineiras devido a irregularidades ambientais, incluindo a ausência de planos de recuperação de solos e de sistemas de contenção de resíduos, após um relatório das Forças de Defesa e Segurança apontar para uma “mineração descontrolada” na província.
Entretanto, segundo informação actualizada pelo Governo em Agosto último, já foi autorizada a retoma da actividade de 30 das 41 empresas mineiras suspensas em Manica, após estas cumprirem requisitos ambientais e normas de mineração. As restantes permanecem em avaliação.



























































