O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, defendeu, nesta sexta-feira, 11 de Setembro, que os países do BRICS e as suas comunidades empresariais devem reorientar os investimentos para a industrialização e a transformação local, evitando permanecer apenas como “fornecedores de matéria-prima”.
“Durante demasiado tempo, as economias em desenvolvimento têm participado nas cadeias de valor globais principalmente como fornecedoras de matérias-primas e consumidoras de bens fabricados noutros locais”, afirmou Ramaphosa durante a sua intervenção no Fórum Empresarial dos BRICS, em Nova Deli, Índia.
O líder sul-africano, citado pela agência espanhola de notícias EFE, defendeu a necessidade de romper com este padrão no âmbito do “BRICS alargado”, que inclui os membros fundadores, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e os novos membros de pleno direito, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irão e Indonésia.
Ramaphosa salientou ainda o papel estratégico do continente africano no desenvolvimento das indústrias do futuro e na transição tecnológica.
“Não podemos aceitar um futuro em que os países com recursos, como os de África, continuem a fornecer os minerais dos quais depende a próxima geração de indústrias, enquanto a transformação de valor e a produção industrial ocorrem noutros locais”, advertiu.
Para inverter esta dinâmica, o Presidente sul-africano defendeu que os Governos devem garantir condições regulamentares adequadas, mas exigiu também ao sector privado compromissos concretos para direccionar capital para o processamento de produtos nos países de extracção, o desenvolvimento de infra-estruturas e a logística local.
“Se queremos mudar onde o valor é criado, também temos de mudar para onde o investimento é direccionado”, afirmou o governante.
Ramaphosa considerou que o actual contexto geopolítico é marcado pelo unilateralismo, pelas sanções comerciais e pelos conflitos bélicos, mas defendeu que a resiliência do bloco depende da sua capacidade de transformar as perturbações dos mercados em novas capacidades produtivas e alianças estratégicas.
“A questão já não é se existe potencial nos BRICS, mas sim se temos a ambição, os instrumentos e as alianças para converter esse potencial em valor económico para os nossos povos”, concluiu Ramaphosa perante representantes governamentais e do Conselho Empresarial da aliança.
A 18.ª Cimeira dos BRICS, que decorre até domingo, 13 de Setembro, tem a agenda marcada pela guerra no Médio Oriente, pelas tensões comerciais e pelas dificuldades em alcançar consensos no seio de um bloco agora alargado a 11 membros.
Fonte: Lusa


























































