A semana económica em Moçambique ficou marcada pela colocação de mais de 45 mil milhões de meticais em Obrigações do Tesouro (OT) desde Janeiro, pelo início de uma nova missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo agravamento do défice comercial no primeiro semestre. Estes acontecimentos evidenciam desafios relacionados com o financiamento do Estado, a estabilidade macroeconómica e o equilíbrio das contas externas do País.
A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) revelou que o Estado colocou mais de 45 mil milhões de meticais em dez emissões de OT desde o início do ano. A operação mais recente, realizada em Agosto, permitiu captar 5,2 mil milhões de meticais, através da 10.ª emissão de OT 2026 – 10.ª série (OT-2026-S10).
Segundo a ficha técnica, a operação foi realizada por subscrição directa e destinou-se à titularização de dívida a fornecedores. A emissão tem um prazo de três anos, com vencimento a 10 de Agosto de 2029, e uma taxa de juro fixa de 8,5% ao ano durante toda a sua vigência.
Com esta emissão, que se junta às nove realizadas anteriormente desde Janeiro, o montante total colocado em OT ultrapassou 45 mil milhões de meticais, equivalentes a cerca de 616 milhões de euros. Todas as operações foram realizadas através da BVM.
FMI inicia missão para avaliar novo programa
Uma delegação do FMI iniciou uma missão de dez dias em Maputo para avaliar as condições necessárias à negociação de um novo programa de financiamento para Moçambique. Chefiada por Pablo Lopez Murphy, a missão deverá reunir-se com o Governo, o Banco de Moçambique, o sector privado e instituições financeiras.
As discussões estarão centradas na situação macroeconómica do País, nas reformas em curso e nas condições para um potencial programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada. Segundo o Ministério das Finanças, a visita ocorre a pedido do Governo e dá continuidade ao processo iniciado após o encerramento do anterior acordo.
A missão deverá também avaliar o cumprimento das recomendações deixadas pelo FMI em Junho, quando outra equipa esteve em Maputo para discutir medidas destinadas à recuperação da estabilidade macroeconómica e da sustentabilidade da dívida. “A presente visita insere-se no quadro do relacionamento de cooperação de longa data entre o Estado moçambicano e aquela instituição financeira internacional”, referiu o Ministério das Finanças.
As actuais negociações remontam a Abril de 2025, quando o Governo e o FMI decidiram não avançar com as restantes avaliações do programa de Facilidade de Crédito Alargada então em vigor e optaram por discutir um novo acordo. Aprovado em Maio de 2022, o programa anterior previa um financiamento de cerca de 468 milhões de dólares, dos quais Moçambique recebeu aproximadamente 343 milhões de dólares através de quatro desembolsos.
Défice comercial mais do que duplica no primeiro semestre
O défice comercial de Moçambique mais do que duplicou no primeiro semestre, atingindo 89 milhões de dólares, apesar da redução de quase 39% do défice da conta corrente. Os dados do balanço do Governo relativo ao período de Janeiro a Junho mostram que o agravamento resultou sobretudo do aumento das importações, enquanto as exportações permaneceram praticamente estáveis.
Segundo o Ministério das Finanças, as exportações ultrapassaram 1,8 mil milhões de dólares, enquanto as importações atingiram 1,9 mil milhões de dólares. No primeiro semestre de 2025, o défice comercial tinha sido de 43 milhões de dólares, o que significa que o desequilíbrio mais do que duplicou no período em análise.
As exportações dos grandes projectos aumentaram 0,5%, mantendo-se em cerca de 1,5 mil milhões de dólares. Fora destes empreendimentos, diminuíram 2%, de 390 milhões para 382 milhões de dólares, enquanto as importações cresceram 2,4%, para 1,9 mil milhões de dólares. Entre Janeiro e Junho, as exportações corresponderam a 21,97% da meta anual e as importações a 20,34%.
Texto: Florença Nhabinde



























































