Os governos de Moçambique e da Zâmbia comprometeram-se nesta sexta-feira, 11 de Setembro, em Maputo, a reforçar a partilha de informação e a coordenação operacional entre as respectivas forças de defesa e segurança, com vista ao combate ao crime transnacional e à ameaça terrorista.
“A 14.ª sessão da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança Moçambique-Zâmbia reveste-se de oportunidade soberana para o diálogo e interacção entre os nossos dois países”, afirmou o secretário permanente do Ministério da Defesa Nacional, Casimiro Augusto Mueio, no encerramento da 14.ª Sessão da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança (CCPDS).
Segundo a Lusa, o encontro, realizado entre 9 e 11 de Setembro, em Maputo, sob a direcção dos secretários permanentes dos ministérios da Defesa de Moçambique e da Zâmbia, identificou como principais ameaças à segurança comum a migração ilegal, o contrabando de mercadorias, a caça furtiva e o tráfico de droga e de seres humanos.
Estes fenómenos continuam a afectar a zona fronteiriça entre os dois países, tendo a ameaça terrorista em alguns distritos de Cabo Delgado, no norte do País, sido igualmente colocada entre as prioridades da cooperação bilateral em matéria de defesa e segurança.
Como resultado da reunião, os dois países comprometeram-se a intensificar a partilha de informação e a coordenação operacional entre as respectivas forças de defesa e segurança. Está igualmente prevista uma monitoria regular da implementação das decisões tomadas ao longo dos próximos 12 meses.
“As nossas preocupações e interesses ao nível dos sectores foram analisados, identificando abordagens sustentáveis e flexíveis que conduzam à superação de eventuais desafios no âmbito da consolidação do clima de paz, segurança e estabilidade na região”, declarou Casimiro Mueio.
No plano económico, a comissão registou que os dois países mantiveram uma trajectória positiva, apesar do impacto dos conflitos geopolíticos na Europa e da instabilidade no Médio Oriente sobre os preços dos combustíveis e outros factores de produção.
Moçambique e a Zâmbia partilham uma fronteira de cerca de 441 quilómetros, que se estende desde o triponto com o Zimbabué até ao triponto com o Maláui.
Desde 2017, Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que já provocou mais de 6600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, tendo registado, desde 2025, incursões esporádicas nas províncias vizinhas de Niassa e Nampula.
A Zâmbia integrou a Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM), força regional destacada entre 2021 e 2024 para apoiar o combate ao terrorismo em Cabo Delgado, ao lado de outros países da região.
A cooperação bilateral em matéria de segurança manteve-se após o fim da missão, num contexto em que Moçambique continua a enfrentar ameaças de grupos armados no norte do País.



























































