Pelo menos seis pessoas morreram na sequência de um desabamento de terras ocorrido na quarta-feira, 9 de Setembro, na Mina de Seis Carros, no distrito de Vanduzi, província de Manica, centro de Moçambique, confirmou a Polícia da República de Moçambique (PRM), citada pela agência Lusa.
O chefe do Departamento de Relações Públicas do Comando Provincial e porta-voz da PRM em Manica, Mouzinho Manasse, disse que não há registo de feridos no incidente, acrescentando que as autoridades ainda não divulgaram a identidade das vítimas nem outros pormenores sobre as circunstâncias do desabamento.
“Seis pessoas morreram. Não há feridos”, afirmou Mouzinho Manasse, citado pela Lusa.
Desabamentos ocorrem durante a noite
Segundo o porta-voz da PRM, muitos mineiros entram nas zonas de exploração entre a meia-noite e as 03h00, período em que a reduzida visibilidade dificulta as acções de fiscalização e aumenta os riscos associados à actividade mineira.
“Os desabamentos que têm vindo a acontecer ocorrem normalmente entre a meia-noite e as três horas da madrugada, num período em que a visibilidade é bastante reduzida”, explicou.
Mouzinho Manasse acrescentou que a Polícia mantém equipas de patrulhamento na região, mas reconheceu que as características das zonas de mineração dificultam a fiscalização durante a noite.
Na sequência do incidente, as autoridades reforçaram o patrulhamento no local e enviaram uma equipa para avaliar a situação e identificar medidas destinadas a reduzir os riscos associados à actividade mineira.
Mineração desregrada preocupa autoridades
O acidente ocorre numa província onde as autoridades têm manifestado preocupação crescente com a mineração desregrada, devido aos riscos para as comunidades, aos impactos ambientais e à exploração ilegal de recursos minerais.
Em Julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou para a presença de menores em actividades de mineração ilegal em Manica, depois de identificar cerca de 900 pontos de escavação onde trabalhavam várias pessoas, incluindo menores de 15 anos.
“Os desabamentos que têm vindo a acontecer ocorrem normalmente entre a meia-noite e as três horas da madrugada, num período em que a visibilidade é bastante reduzida”
Mouzinho Manasse
A situação levou as autoridades a reforçar a atenção às condições em que são realizadas actividades de extracção de recursos minerais, sobretudo em áreas onde a exploração ocorre de forma não controlada.
Em Junho, a Câmara de Minas de Moçambique também alertou para os problemas associados à mineração descontrolada na província e defendeu uma maior coordenação entre instituições públicas e privadas, numa altura em que Manica regista a descoberta de novos minerais considerados críticos.
Governo mantém suspensão de empresas
A preocupação com a actividade mineira na província também se reflectiu nas medidas adoptadas pelo Governo em 2025, quando foram suspensas licenças de empresas do sector devido a irregularidades ambientais.
Entre os problemas identificados estavam a ausência de planos de recuperação de solos e de sistemas de contenção de resíduos. A decisão surgiu na sequência de um relatório das Forças de Defesa e Segurança que apontou para a existência de “mineração descontrolada” na província.
Entretanto, segundo informação actualizada pelo Governo em Agosto, 30 das 41 empresas mineiras suspensas em Manica já receberam autorização para retomar as actividades, depois de cumprirem os requisitos ambientais e as normas aplicáveis ao sector.
As restantes 11 empresas permanecem sob avaliação das autoridades.
O novo desabamento volta, assim, a evidenciar os riscos associados à exploração mineira em Manica, numa província onde as autoridades procuram conciliar o aproveitamento dos recursos minerais com o cumprimento das normas de segurança e de protecção ambiental.



























































