O Governo, através da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul), vai investir cerca de 4 milhões de dólares na reabilitação da barragem de Massingir, após as cheias registadas este ano no rio dos Elefantes terem obrigado, pela primeira vez, ao accionamento automático do descarregador de cheias auxiliar.
Segundo o director-geral da ARA-Sul, Edgar Chongo, a intervenção inclui a reposição dos blocos de betão do sistema de descarga de emergência e a substituição de equipamentos eléctricos.
“Estamos a fazer a reposição dos blocos de betão, em Massingir, e também a fazer a reposição dos equipamentos eléctricos. Estamos a falar de um investimento aproximado de 4 milhões de dólares”, disse Chongo.
A barragem enfrentou este ano uma das maiores cheias registadas no rio dos Elefantes nos últimos anos, com elevados volumes de água provenientes dos países a montante. O descarregador de fundo e o descarregador de cheias operaram no limite da sua capacidade, levando ao accionamento do sistema auxiliar de emergência.
O mecanismo é concebido para entrar automaticamente em funcionamento quando o nível da água atinge condições extremas, funcionando como último nível de segurança da barragem. O seu accionamento não representa, por si só, uma falha da infra-estrutura, mas demonstra a intensidade do episódio de cheia registado este ano.
A ARA-Sul já mobilizou um empreiteiro para a reposição dos componentes afectados. A instituição deverá também avaliar a capacidade dos canais de restituição a jusante e eventuais necessidades adicionais de intervenção.
Reforço da segurança
As cheias deste ano deverão ainda levar ao reforço dos sistemas de segurança de outras infra-estruturas hidráulicas. Na barragem de Corumana, que não dispõe actualmente de um descarregador de emergência semelhante ao de Massingir, a ARA-Sul prevê instalar um mecanismo com a mesma finalidade.
Apesar dos episódios extremos, a situação de armazenamento das principais barragens da região sul é considerada satisfatória. A cerca de 30 dias do início da próxima época chuvosa, os Pequenos Libombos e Corumana apresentavam níveis próximos de 90%, enquanto Massingir registava mais de 70%.
“Para o próximo ano, os próximos dois anos, estamos tranquilos”, disse Chongo, embora tenha alertado para a influência que a intensidade e a duração de eventuais períodos do fenómeno climático El Niño poderão ter sobre as reservas.
A ARA-Sul está também a modernizar a rede de monitoria hidrológica, com a instalação de estações telemétricas automáticas que permitem a transmissão de dados em tempo útil. A medida pretende melhorar a capacidade de antecipação das cheias, sobretudo perante o risco associado ao escoamento proveniente dos países a montante das principais bacias hidrográficas.
“O maior risco é o escoamento que vem dos países a montante”, concluiu o director-geral.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique



























































