O défice comercial de Moçambique mais do que duplicou no primeiro semestre, atingindo 89 milhões de dólares, apesar da redução de quase 39% do défice da conta corrente. Os dados constam de um balanço do Governo relativo ao período de Janeiro a Junho e mostram que o agravamento do défice comercial resultou sobretudo do aumento das importações, uma vez que as exportações permaneceram praticamente estáveis.
De acordo com o Ministério das Finanças, citado pela Lusa, a balança comercial registou um défice de 89 milhões de dólares, resultado de exportações superiores a 1,8 mil milhões de dólares e importações de 1,9 mil milhões de dólares. No primeiro semestre de 2025, o défice tinha sido de 43 milhões de dólares, o que significa que o desequilíbrio comercial mais do que duplicou no mesmo período deste ano.
As exportações mantiveram-se praticamente inalteradas face ao primeiro semestre de 2025, quando também ultrapassaram 1,8 mil milhões de dólares. Já as importações cresceram 2,4%, para 1,9 mil milhões de dólares, no período em análise.
Assim, o aumento das importações, sem um crescimento equivalente das exportações, agravou o défice da balança comercial, que corresponde à diferença entre o valor dos bens exportados e importados pelo País. Apesar deste desempenho, os grandes projectos continuaram a representar a principal fonte das exportações moçambicanas.
Segundo o relatório, as exportações dos grandes projectos aumentaram 0,5%, mantendo-se em cerca de 1,5 mil milhões de dólares. Fora destes empreendimentos, as exportações diminuíram 2%, de 390 milhões para 382 milhões de dólares, reflectindo uma redução do valor exportado pelos restantes sectores da economia.
Em relação às metas definidas para 2026, as exportações realizadas entre Janeiro e Junho corresponderam a 21,97% do objectivo anual, enquanto as importações representaram 20,34% do valor previsto para todo o ano. Ou seja, no final do primeiro semestre, pouco mais de um quinto das metas anuais tinha sido alcançado, tanto no caso das exportações como no das importações.
Perante este cenário, o Governo considera necessário aumentar a produção nacional e reforçar a capacidade de exportação. “Estes níveis de execução, situados entre 20% e 22% das metas anuais, evidenciam a necessidade de dinamizar a produção nacional, reforçar a capacidade exportadora e acelerar a implementação dos grandes projectos de investimento durante o segundo semestre”, refere o documento.
Apesar do agravamento do défice comercial, a conta corrente apresentou uma evolução positiva. O défice passou de 588 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 para 359 milhões de dólares no mesmo período deste ano, uma redução de quase 39%. A conta corrente tem um âmbito mais amplo do que a balança comercial, pois inclui, além da compra e venda de bens, os serviços, os rendimentos e as transferências entre Moçambique e o exterior.
O Governo atribui esta melhoria ao desempenho favorável de outras componentes das contas externas, nomeadamente ao saldo dos serviços, que foi positivo em 158 milhões de dólares, e aos rendimentos primários, que registaram um saldo de 113 milhões de dólares. O relatório acrescenta ainda que “a conta financeira registou uma entrada líquida de capitais” no valor de 143 milhões de dólares, contribuindo também para a evolução das contas externas no primeiro semestre.


























































