O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu, nesta quinta-feira, 10 de Setembro, que Angola deve adoptar uma “consolidação orçamental proactiva”, alertando para o abrandamento das reformas destinadas a atrair investimento estrangeiro, reduzir a dependência do petróleo e acelerar a diversificação da economia.
“Um ambiente externo favorável contribuiu para uma posição externa mais sólida e para o crescimento da actividade não petrolífera, para um melhor acesso aos mercados e para a descida da inflação; ao mesmo tempo, porém, abrandou o ajustamento macroeconómico e o ímpeto das reformas, fundamentais para reduzir a dependência do petróleo e as vulnerabilidades de Angola”, escrevem os economistas do FMI na avaliação realizada no âmbito do programa de ajustamento financeiro, concluído em 2021.
“Manter a estabilidade macroeconómica e os ganhos de produtividade, conquistados com tanto esforço, neste mundo propenso a choques, exigirá uma consolidação orçamental proactiva, uma política monetária prudente e flexibilidade cambial”, salienta o FMI numa nota assinada por Mika Saito, responsável pela equipa técnica que visitou Angola entre 24 de Agosto e 6 de Setembro.
Na nota, divulgada em Washington, o FMI reconhece que as condições externas favoráveis contribuíram para uma posição externa mais sólida, o fortalecimento da actividade não petrolífera, um melhor acesso aos mercados e a redução da inflação, que em Julho registou, pelo segundo mês consecutivo, uma taxa inferior a dois dígitos.
Apesar destes progressos, Saito alerta que “novas reformas estruturais para melhorar o ambiente empresarial, reforçar a governação, atrair investimento estrangeiro e diversificar a economia serão importantes para o crescimento sustentável”.
Para o FMI, a manutenção dos ganhos alcançados dependerá da capacidade de Angola continuar a reforçar a estabilidade macroeconómica e avançar com reformas estruturais, sobretudo num contexto internacional marcado por riscos e potenciais choques externos.
A visita do FMI a Angola enquadra-se na Avaliação Pós-Financiamento (PFA), um instrumento utilizado pelo Fundo para acompanhar a evolução macroeconómica dos países que receberam assistência financeira nos anos anteriores.
A avaliação analisa as políticas económicas adoptadas pelos países, a coerência do quadro macroeconómico com os objectivos de sustentabilidade a médio prazo e as implicações dessas políticas para a capacidade de reembolso dos empréstimos concedidos pelo FMI.
Fonte: Lusa



























































