A Administração de Donald Trump vai conceder um empréstimo de quase 100 milhões de dólares à Africell, a única operadora de telecomunicações de capital norte-americano em África, numa iniciativa destinada a contrariar a expansão da tecnológica chinesa Huawei no continente, segundo uma fonte familiarizada com o processo e um projecto de comunicado de imprensa consultado pela Reuters.
O financiamento será concedido pelo Export-Import Bank of the United States (EXIM) e permitirá à Africell investir em tecnologias móveis de última geração fornecidas por empresas norte-americanas e de países aliados, segundo o documento, que deverá ser divulgado esta sexta-feira, 11 de Setembro.
“Estamos satisfeitos por trabalhar com o EXIM para introduzir infra-estruturas de comunicação mais seguras e fiáveis nos nossos mercados de operação”, afirmou Ziad Dalloul, presidente-executivo da Africell Holding Limited, de acordo com o projecto de comunicado.
A Huawei e a Embaixada da China não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
O empréstimo, que ainda não tinha sido divulgado publicamente, integra a estratégia de Washington para promover a utilização, nos mercados internacionais, de equipamentos de telecomunicações não fabricados pela Huawei.
Durante o primeiro mandato de Trump, a Administração norte-americana lançou a iniciativa “Clean Network”, destinada a limitar a utilização de tecnologia, aplicações e operadores chineses nas infra-estruturas de telecomunicações dos Estados Unidos e dos países aliados. A estratégia prosseguiu durante o segundo mandato.
Os Estados Unidos impuseram fortes sanções à Huawei, alegando que a empresa poderia utilizar os seus equipamentos para actividades de espionagem. A tecnológica chinesa rejeita as acusações.
De acordo com dados da Counterpoint Research, a Huawei detém cerca de 52% do mercado de infra-estruturas 5G em África.
O novo financiamento surge também na sequência de uma ordem executiva assinada por Trump em 2025, que determina que as agências norte-americanas promovam a utilização de tecnologia dos Estados Unidos no estrangeiro, incluindo nas áreas de Inteligência Artificial, armazenamento em centros de dados, serviços de computação em nuvem e redes de comunicação.
Fundada em 2001, a Africell adquiriu tecnologia a empresas como HP, Nokia, Dell e Oracle para equipar um novo centro de dados em Angola, segundo informações disponibilizadas pela própria empresa. A operadora conta actualmente com cerca de 15 milhões de clientes em Angola, Gâmbia, República Democrática do Congo e Serra Leoa.
Durante uma visita aos escritórios da Africell em Angola, em 2022, Wendy Sherman, então subsecretária de Estado-adjunta dos Estados Unidos, afirmou que os países que optam pela Huawei “podem estar a abdicar da sua soberania” e a entregar os seus dados a outro país.
A Africell recebeu anteriormente um empréstimo de 100 milhões de dólares, em 2018, concedido pela Overseas Private Investment Corporation (OPIC), instituição de financiamento ao desenvolvimento que posteriormente deu lugar à International Development Finance Corporation (DFC), para expandir as suas infra-estruturas de comunicações.


























































