A procura mundial de petróleo deverá diminuir em 2,5 milhões de barris por dia este ano, uma revisão em baixa de 940 mil barris por dia face à previsão do mês passado, devido ao impasse nas negociações entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
Na previsão divulgada esta sexta-feira, 11 de Setembro, a AIE estima que a redução será sobretudo sentida nos destilados médios, combustíveis obtidos através da destilação do petróleo, e nas matérias-primas utilizadas pela indústria petroquímica, particularmente na Ásia.
Para 2027, a agência prevê uma recuperação da procura de 2,6 milhões de barris por dia, compensando a queda estimada para este ano. A evolução dependerá, contudo, do prolongamento ou da resolução das actuais perturbações no mercado petrolífero.
Em Agosto, a produção mundial de petróleo caiu 1,6 milhões de barris por dia, para 100,1 milhões de barris diários. Mais de dez milhões de barris por dia de produção no Golfo permaneceram paralisados devido ao aumento dos riscos de segurança associados ao conflito no Médio Oriente.
A AIE estima que a oferta mundial recue 5,7 milhões de barris por dia em 2026, para 100,7 milhões de barris diários. A recuperação da produção no Golfo deverá ser adiada para 2027, ano em que a oferta poderá aumentar em oito milhões de barris por dia.
Fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o crescimento da produção será liderado pelos produtores das Américas. EUA, Canadá, Brasil, Argentina e Guiana deverão contribuir com um aumento conjunto de 1,4 milhões de barris por dia em 2026 e de mais um milhão de barris por dia em 2027.
As refinarias registaram, em Agosto, um máximo sazonal de 81,4 milhões de barris por dia, mais 960 mil barris diários do que em Julho, mas menos 4,2 milhões de barris por dia do que no mesmo período do ano passado.
Para este ano, a actividade mundial de refinação deverá diminuir 2,6 milhões de barris por dia, para 81,5 milhões de barris diários, segundo a AIE.
A agência constatou ainda que as margens de refinação atingiram níveis recorde na bacia atlântica, impulsionadas pela subida dos preços do gasóleo. Em Singapura, pelo contrário, o aumento dos custos de transporte marítimo pressionou a rentabilidade das refinarias.
Os inventários mundiais de petróleo registados diminuíram mais de 95 milhões de barris em Agosto. Os volumes de crude armazenados em navios recuaram 65 milhões de barris, numa altura em que novos ataques voltaram a afectar o tráfego de petroleiros provenientes do Médio Oriente.
Fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os inventários diminuíram 52 milhões de barris, com a China a liderar a redução. Nos países da OCDE, os stocks aumentaram 23 milhões de barris, uma vez que o crescimento dos inventários comerciais compensou uma queda de 19 milhões de barris nas reservas governamentais.
Após as fortes subidas registadas na quinta-feira nos preços do petróleo e do gás, o contrato de referência do Brent avançava 1,47%, para 106,05 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 1,35%, para 101,10 dólares
O petróleo bruto North Sea Dated subiu 7,61 dólares por barril em Agosto, para uma média de 91 dólares, antes de atingir 113,48 dólares na terça-feira.
Neste contexto, a estrutura do mercado entrou numa situação de backwardation extrema, fenómeno que ocorre quando os preços para entrega imediata de um activo ficam significativamente acima dos preços dos contratos para entrega futura. Segundo a AIE, esta evolução reflecte um mercado mais restrito devido às interrupções no Médio Oriente e na Rússia e à deslocação da procura para os petróleos brutos provenientes da bacia atlântica.
Os custos dos petroleiros também aumentaram significativamente, pressionados pelo agravamento dos riscos de segurança e pelo aumento da procura por navios.
A recuperação prevista para 2027 dependerá, em grande medida, da evolução das interrupções no abastecimento e da possibilidade de as negociações entre Washington e Teerão permitirem a normalização dos fluxos de petróleo, conclui a AIE.
Após as fortes subidas registadas na quinta-feira nos preços do petróleo e do gás, o contrato de referência do Brent avançava 1,47%, para 106,05 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 1,35%, para 101,10 dólares.
Fonte: Lusa



























































